31/12/2017 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Receita de Ano Novo

Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca

Não poderia finalizar o ano a não ser com o poema de nosso grande Carlos Drummond de Andrade, que faz cair por terra todas as simpatias já imaginadas; mesmo assim, resisto com as lentilhas

“Para você ganhar belíssimo Ano Novo/cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,/Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido/(mal vivido talvez ou sem sentido)/para você ganhar um ano/não apenas pintado de novo, remendado às carreiras/mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; /novo at é no coração das coisas menos percebidas/(a começar pelo seu interior) / novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, /mas com ele se come, se passeia,/se ama, se compreende, se trabalha, /voc ê não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, /n ão precisa expedir nem receber mensagens /(planta recebe mensagens?/passa telegramas?) //N ão precisa /fazer lista de boas intenções/para arquivá-las na gaveta. /N ão precisa chorar arrependido /pelas besteiras consumadas /nem parvamente acreditar/que por decreto de esperança /a partir de janeiro as coisas mudem/e seja tudo claridade, recompensa, /justi ça entre os homens e as nações, /liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, /direitos respeitados, começando /pelo direito augusto de viver. //Para ganhar um Ano Novo/que mereça este nome, /voc ê, meu caro, tem de merecê-lo, /tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, /Mas tente, experimente, consciente./É dentro de você que o Ano Novo/cochila e espera desde sempre”

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