10/02/2018 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Mulher extraordinária

Neste carnaval, como no do ano passado, e igual a muitos carnavais do século XX, é bem provável que se ouçam algumas vezes, em rádio ou televisão, os acordes de “Ó Abre Alas”, o marco seminal de um novo gênero, a marchinha, que chegou com tudo em fevereiro de 1899. O carnaval de rua ganhava música, que até então não tinha. A autora? Chiquinha Gonzaga, criadora de mais de duas mil composições. Conta-se que procurada em sua casa, no bairro carioca do Andaraí, onde se encontrava a sede do Cordão Rosa de Ouro, Chiquinha sentou-se ao piano e compôs na hora a melodia, que já tinha letra.Além de artista, ela foi uma das primeiras brasileiras, se não a primeira, a defender publicamente a Abolição, a República e o direito de ser livre, apesar do pertencimento ao gênero feminino. Sua história incomum a insere no rol dos tipos inesquecíveis. Nascida em outubro de 1847, no Rio de Janeiro, foi obrigada pelos pais a se casar, aos 16, com um oficial da Marinha Mercante, Jacinto Ribeiro do Amaral, homem a quem detestava. Teve com ele três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário. Cinco anos depois, saiu de casa e foi morar com um engenheiro de estradas de ferro, João Batista de Carvalho. Durou pouco o romance e, sem meios para sobreviver, ela retornou ao lar paterno.

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