13/05/2018 - Reportagem de Sônia Machiavelli

Torta de limão siciliano

Foto de: Dirceu Garcia/Comércio da Franca

Massa 
 150 gramas de manteiga sem sal em temperatura ambiente
 90 gramas de açúcar de confeiteiro
 300 gramas de farinha de trigo
 1 ovo grande
 
Recheio
 1 limão siciliano descascado (sem nenhuma película branca) e cortado em oito pedaços, retiradas as sementes
 1 ½ xícara de açúcar de confeiteiro
 1 colher (chá) de xarope ou extrato de baunilha 
 4 ovos grandes ( ou 6 médios)
 
 
“Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada”. O ditado é conhecido no mundo inteiro como  versão da filosofia pela qual se conduzia a personagem Poliana na sua vida de garota otimista. Mais do que limonada, o limão se presta a muitas outras receitas doces e salgadas que se destacam no cardápio de chefs respeitados ao redor do mundo. 
 
Mas quando se fala em limão, a referência correta no discurso botânico é o siciliano. Os outros aos quais chamamos  limão no Brasil não pertencem à mesma família. O tahiti, de casca lisinha verde escuro e brilhante, nenhuma semente e muito caldo,  e o galego, menor, de casca amarela e aroma singular, são limas ácidas. O nosso limão-cravo, também conhecido por caipira,  deriva de cruzamento do tahiti com a mexerica, daí sua casca grossa e alaranjada.  Quando o italiano pede na feira  um limone, ele está comprando o siciliano, embora não use esse último termo. Nós o criamos para o diferenciar dos nossos cítricos, apelando para seu lugar de origem, embora se diga que nasceu primeiro na Ásia, de onde foi levado aos poucos para o Ocidente, em direção ao Mediterrâneo, acabando por chegar  à Costa Amalfitana, para mim  um dos lugares mais lindos do mundo, e à Sicília, de natureza agreste e bela. 
 
Esta ilha, com seus verões longos e quentes e invernos temperados, se tornou líder na produção dos limões sicilianos- um pé chega a produzir mil frutos durante o ano.  Outras regiões, principalmente ao longo da costa, o cultivam com carinho e orgulho e o levam para seus cardápios, louças, mosaicos, tecidos. Encravadas em enseadas ao longo da costa, um incrível litoral de 40 km, Amalfi, Positano, Sorrento e outras cidades encantadoras, encarapitadas nas montanhas e sobre o mar, exibem seus limoeiros engenhosametne plantados em terraços, a produzir frutos amarelos, suculentos, perfumados. O colorido da paisagem e o odor das paragens são  inesquecíveis. 
 
Pairam ainda dúvidas sobre o cultivo pelos romanos do limone.  Que conheciam e faziam uso da cidra, bem parecida a um limão siciliano grande, é fato:  em sua obra História Natural,  Plínio, o Velho, a menciona especificamente. De certo, mesmo, é que os moradores de  Pompeia  empregavam o siciliano na alimentação, o que se pode depreender dos vários afrescos e mosaicos preservados da Casa do Pomar, que o  exibem na sua linda embalagem natural ou cortado ao meio e misturado a ramagens e outras frutas.  É possível que já intuissem suas qualidades medicinais, dentre elas a quantidade de vitamina C, imprescindível ao organismo. Trechos de antigos documentos ainda preservados  revelam que  o empregavam também como desinfetante, alvejante e odorizante em festas profanas e cerimônias religiosas. 
 
Cozinheiros  de  todo o mundo ocidental têm sicilianos sempre à mão para uma lista infindável de usos na cozinha, do sorvete tradicional ao molho para o tagliatelle. E ele  é ingrediente básico na torta que ilustra essa página, muito conhecida  nos Estados Unidos, país onde o pragmatismo é característica marcante. Lá é chamada de “Torta de preguiçosa”, porque o recheio  é  feito com todos os ingredientes batidos no liquidificador e então colocado  na massa previamente assada e depois levada novamente ao forno. Fiz pela primeira vez na semana passada e achei que ficou muito gostosa. 
 
O trabalho maior é o da massa. Misture a manteiga, o açúcar, o sal e a farinha numa vasilha. Acrescente o ovo e amasse com delicadeza, até formar uma bola. Embrulhe em filme plástico e leve à geladeira para descansar por uma hora. Depois desse tempo estenda um pedaço de papel manteiga sobre superfície lisa, polvilhe farinha de trigo, abra a massa sobre ele. Para não quebrar,  coloque a forma de quiche com a boca voltada sobre a massa espichada e vire, retirando o papel. Cubra a massa com outro pedaço de papel manteiga, preencha o fundo com grãos de feijão- para fazer peso e impedir que se formem bolhas. Leve ao forno preaquecido a 180 graus e asse por 15 minutos. Jogue fora os feijões, tire o papel manteiga e asse a massa descoberta por mais cinco minutos. Retire do forno e espere esfriar.  Enquanto isso,  prepare o recheio. Coloque todos os ingredientes no liquidificador e bata por cinco minutos. Despeje o recheio na massa de torta já resfriada e asse por aproximadamente 30 minutos. Ao fim desse tempo o recheio parecerá molengo. Mas é assim mesmo, ele endurece depois de frio. Retire então do forno, espere esfriar e leve à geladeira por uma hora, no mínimo. Se estiver inspirada, decore com um caracol de casca de  siciliano, açúcar de confeiteiro, ou uma flor comestível, como foi meu caso. Achei no Raffa’s  pela primeria vez essas flores em caixinhas, um belo recusrso para enfeitar superfícies de bolos e tortas. Estando finalizada, sirva sua torta de limão e se prepare para  receber elogios. 

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