Inevitável ou lamentável rumo

Por: Mirto Felipim

Do inevitável patamar da velhice certeira, e nem mesmo sábia, observa ele os passos, gestos, grosserias e insensibilidade dos ridículos e orgulhosos navegantes rumo ao topo do fim.


Mudaram alguns para melhor, sabe-se lá, outros para pior, sabe-se bem, e outros estacionaram, apenas resistem. Muitos correm pela vida, como entulhos na enxurrada, envenenando vidas, obstruindo progressos, destruindo planos - observa enfastiado.


 Outros, peixes condenados que são, pulam para as margens ameaçadoras, tentando escapar e murcham nas laterais da vida, putrefazendo suas boas intenções na mirra sagrada, no êxtase da relação melíflua, que a tudo defuma e purifica no insensato desespero do maquiado tormento observa o inútil.


Carregam essas pessoas supõe o poderoso o ódio do nunca ter sentido o amor imperioso, um único coito redentor, um beijo na flor da pele, na pele da flor, nos descaminhos do gozo. Em suas timoratas decisões negam sempre o óbvio em busca do proveito seguro. Esparramam-se então pelo solo fértil da destruição alheia. Pregam e prezam a decadência do inimigo, apostando nos joelhos do pugilista decadente e na salvadora queda, que dê passagem à desprezível, porém eficaz, vitória.


Essa legião constata o soberano que transita no desenxabido trecho do momento histórico, perde-se na busca ansiosa de um prazer que não sabe, de um frenesi que não conhece ou de um corpo que não possui e esquece o que nunca percebeu: a possibilidade imensa de se perder nas artérias do desgoverno e encontrar o parceiro da viagem rumo à sabedoria do deleite compartilhado e não do inadiável sucesso, que se resume em possuir ou ser posse de alguém ou em pousar o traseiro na disputada cadeira do altar de reuniões e supor ser deus.
Trata-se de seres, apenas seres decreta a sentinela nervosos, líquidos, insulsos. Presas do outro, algozes de si, alguns até soldados, nenhum certamente guerreiro. Almas vagando rumo ao indefinido de suas vaidades suburbanas, buscando aquilo que sequer sabem existir, consumindo os créditos de suas ansiedades inócuas, rumo ao futuro que jamais conquistarão, posto estarem condenados à presente inexorabilidade de suas mesquinharias.


Mas uma nova legião virá conforta-se o observador dela a transformação da esperança em uma nova era será cobrada, posto que tudo haverá para a metamorfose redentora. Será o resgate definitivo ou a aceitação de que alguma coisa não funcionou desde o princípio e fadado está a não funcionar, enquanto houver aquele que habita e se diz o dono, seja da matéria ou do intelecto, e aquele que aceita e perpetua.

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