Ode ao amigo

Por: Regina Helena Bastianini

Quando o crepúsculo tinge o mundo com suas cores de adeus
E uma beleza doída alonga os olhos para o horizonte
 - de repente tão ampliado
No peito, sufoca a vontade impossível de reter
O que a noite inexorável já vai engolir,
Visitam-nos a alma
Os acenos dos que já se foram
E que de algum lugar nos mandam sua saudade.
Nessa hora, sinos reais e imaginários
Lembram campanários no lusco-fusco,
Um não sei quê nos percorre as veias
Com a fugacidade de tudo,
E sabemos o agridoce da vida infinita e fluida.
 
Ah! Poder reter um minuto mais
As dores que tanto ensinam...
Segurar um pouquinho mais os risos
Para não se esgotarem na boca...
Guardar aquele segundo eterno
Para decidir de vez o mergulho...
Reter a luz momentânea que diz
O real valor de tudo
E que se apaga na displicência...
Abafar a dor essencial dos dias vãos...


E a solidão que pende afiada sobre as almas...
Aplacar as águas revoltas
Da impotência e da ousadia;
Do desamparo e da esperança;
Do medo e do desafio;
Do paradoxo de nossa frágil força;
De nossas garras brutais sedentas de poder
E de nossas asas angelicais órfãs e ávidas
De Beleza e de Poesia...
 
Ah! Que de abismos nos roçam a alma!
Que de vagas colossais assolam nossos passos!
 
Haverá um porto?
Um colo de Deus?
Um pedaço de infância?
Um carinho de mãe?
 
É nesse momento
Que nos salva um coração amigo,
Um olhar irmão,
Um sonho comum,
Em torno de uma mesa posta
Com cheiro de pão,
Aroma caricioso de café,
Doçura de palavras,
Irisando o momento


Na Poesia vermelho coração
De geléia de mel
Com pétalas de rosas
Aveludadas
Amorizadas.

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