Redação encantada

Por: Everton de Paula

Era uma vez um menino que estudava numa escola perto da casa em que morava Sua casa tinha um quintal de terra uma goiabeira um galinheiro e um pombal e uma casinha em cujo fogao de lenha a empregada torrava graos de cafe verde No quintal da casa vizinha havia uma frondosa mangueira onde os bem te vis da tarde de verao soltavam gritos esganiçados que entoavam em todo o quarteirao Era um menino livre e feliz satisfeito com a vida brejeira que levava Adorava uma tia que morava em outra cidade e que vinha passar uns dias em sua casa e tocava no velho piano Pleyel chorinhos de Ernesto Nazareth e depois ele mesmo se sentava ao piano e inventava que estava tocando as mesmas musicas


Gostava de tudo na sua vidinha A unica coisa de que nao gostava mesmo de fazer era redaçao na escola so porque ele nao sabia ou tinha preguiça de colocar virgulas ponto e virgula ponto final interrogação reticencias parenteses aspas e todas essas coisinhas que so serviam para atrapalhar sua vidinha Esses pequenos sinais eram sua gaiola e ele nao gostava de ficar preso de jeito nenhum Mas nao era so isso ele nao sabia ou tinha preguiça de colocar os acentos graficos nas palavras que assim exigiam Ai entao ele inventou uma novamaneira de fazer redaçao Seguinte ele escrevia a redaçao inteirinha a sua historia falava de herois de passarinhos de córregos e matas fechadas enfim toda sua fantasia Ele era bom nisso Quando terminava a redaçao no final do papel almaço pautado ele desenhava todos os sinais de pontuaçao e acentuaçao grafica e pedia para a professora dona Celeida que distribuisse esses sinais no texto da melhor maneira que fosse possivel Mais ou menos assim . ; : - ! ? ... ‘ ´ ~ = e depois saia da classe assobiando como os bem te vis na mangueira e assumia ares de missao cumprida O bedel vinha e tilintava o sino O menino ganhava as ruas e voltava a livre tarefa de ser feliz na sua meninice encantada

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