A festa

Por: Paulo Maestri

107505

Eu raramente saio para uma festa se esta não bate com meu estilo de vida. Muitas vezes sou convidado para algumas baladas e me recuso. Mas outro dia fui convidado para uma onde só tocariam músicas dos anos 70, organizada por velhos jovens camaradas. Gente, foram muitas emoções. Jamais pensei que poderia ouvir tais melodias novamente. Viajei por momentos que só podem ser guardados num inconsciente que de teimoso sempre aflora e se intromete no ego da gente. Estava tudo ali, até os amigos mais amados. Meu Id foi a mil e teve que ser controlado pelo meu superego. Sabe aqueles caras que você só viu até o cursinho e depois sumiram? Pois eles também estavam lá. Claro, tinham sumido, cada um para seu canto, seguindo a carreira que escolheram e não nos encontramos mais. Alguns casados, outros a mil, alguns perdidos, outros realizados e outros, e outros e outros. Que felicidade.

O som, o clímax, a vida se manifestando entre sorrisos gloriosos, amados e sofridos. Que delícia. Em determinado momento as canções, músicas que não se fazem mais, e aquela sensação de que outras iguais ainda não foram preparadas por Deus para alguém compô-las e, sinceramente, viajei, chorei intimamente. Os pés no chão e o pensamento longe. Um tempo de amor e canções? Tempo de amores e solidão. Um tempo onde amar era simplesmente ser feliz e só. A festa na casa da amiga que convidava aquela linda gata de quem você estava a fim, lembra-se disso? O encontro na sexta, no sábado e no domingo. A salada de alface às quatro da manhã. A inocência de uma serenata. Os poemas bêbados em papel de guardanapo, onde escrevíamos os versos sem o outro ver.A última palavra teríamos que rimar para dar sequência ao verso. E sem saber o assunto, relacionar com o tema inicial, com coerência. Como mágica sintetizavam-se em nossa frente lindos poemas e alguns de minha turma os têm até hoje. O sorriso sincero do final da noite, seguido de uma piscadela, protagonizava o início de algo. Nossas valentias em teimar a tudo e contrariar a tudo. De experimentar tudo e disso construir nossa própria estrada. Pular o muro para fazer cumprir a promessa de uma serenata. O piscar da luz para dizer que estava tudo bem.

O beijo no alpendre? Acho que as casas nem possuem mais alpendres. Muitas coisas ficaram para trás. A estrada de terra batida, como diziam os pioneiros da música sertaneja, o asfalto encobriu? Encobriu muito e outras coisas. Éramos jovens sonhadores e no auge de nossa inocência nos achávamos o máximo. Por que deixar coisas se perderem? Por que não transformar o mundo agora, se somos os caras? As músicas? Phil Collins, Legião, Paralamas, Cazuza, Barão, Lulu, Ira, Kid Abelha, Léo, Oasis, A-Ha. Etc. E nos momentos meu e seu? Caetano, Chico, Milton, Gal, Bethânia, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Belchior, Fagner, Amelinha, Elba, Marina, e a Natalina e o Vagão, Mauricinho... E os caras, Paulinho Zueira e Siquilo, o Mamão, o Cassinho e o Abibinho, O Pilombo, Marcelo, o Xaxande, Paulinho Jatobá, Alemão, o Dimas, o Pica-Pau, Juliano, Ricardo, o Aldrovando Junior, Marcio Dib, a Banda de K e o Juninho Jonas, a AEC? E o amor de viver e ser feliz? Gude, Marisa, Paulinho, Juninho, Pezão, Bela, Prú, Zezé, Ângela, Elcio, Eliana, Hamilton, os Guerreiros Solteiros, o Dalmo Pólo, Marcinho Murari, o Naicinho e o Neto, o Ricardo e a Ra, e a Re e a Sá, as meninas do centro, A Claudia, a Sônia, a Sílvia, a Dulcinha, as Anas e as Ritas, e a Gi, e a Lu, e Ada que me faz feliz? Lembranças de tempos idos e que, através da música, voltam latentes neste coração de poeta. Todos na festa e aí? Você foi?

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras