Previsões

Por: Farisa Moherdaui

Ela costuma dizer que as suas previsões meteorológicas nunca falham e que tudo acontece certinho, mas não sei como, pois se prevê chuva, o sol aparece forte e radiante ameaçando o verde das árvores e o frescor das manhãs. Se prevê a estiagem que vai secar as suas roupas no varal, coitada, a chuva também forte cai molhando as roupas, alagando córregos, ruas e calçadas.

E naquela tarde sem chuvas, ela sai de casa para as compras no centro da cidade. Mas que compras? Ah sim! A compra de um colchão, somente, aquele colchão ortopédico que a sua coluna pede e bem merece. E se não há chuva então não leva o guarda-chuva.

Apressada entra nas lojas Pernambucanas, mas com tanta gente ali prefere sair sem nem mesmo pesquisar; depois Casas Bahia, Magazine Luiza, Lojas Seller e todas elas, apinhadas de gente comprando, o que não lhe permite pesquisar e nem pechinchar, coisas essas que fazem parte de uma boa negociação. Mas pelas suas atrapalhadas previsões ainda sobra tempo para uma passadinha na loja da dona Melica, onde tem de tudo mas não o colchão e a vendedora continua o seu discurso para a venda de outros produtos. Ela com raiva deixa a moça falando sozinha e sai debaixo de forte chuva que caiu de repente. Bastante molhada e com muito mais raiva porque teve que pagar por duas horas de estacionamento e sem comprar o colchão.

Entra no carro e para no Magazine Luiza da Estação onde encontra aquele vendedor que fala pouco mas que sempre acaba por convencer o freguês a comprar o que precisa e até o que não precisa. E ela comprou o colchão dos seus sonhos, a capa para o colchão, dois jogos de cama, dois travesseiros penas de ganso!? E ainda dois guarda-chuvas, um de cabo comprido e outro de cabo curto, pois segundo ela enquanto um tá molhado o outro tá secando né?

O colchão ela já estreou e quanto aos dois guarda-chuvas, logo logo sairão do armário, isto se ela acertar em pelo menos uma vez nas suas previsões porque São Pedro já de cabeça quente com tantos pedidos promete para muito breve abrir todas as comportas do céu mandando água que vai molhar o mundo inteiro.

– Tomara!

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