O ato de criar

Por: José Antonio Pereira

Hoje é sábado, dia de veiculação do caderno Nossas Letras. O leitor que porventura estiver lendo estas linhas, faça a gentileza de percorrer os olhos por este caderno. Aí encontrará crônicas, contos, artigos, ensaios, poesia de escritores francanos. E as fotos de Atalie, é claro!

Leia-os, aprecie-os, e sinta um pouco da experiência vivida, da cultura, do sentimento e da arte de quem os criou.

Quem são essas pessoas?

O Chiachiri, a Sonia, Silvana Bombicino, Cruz, Mauro Ferreira, Eny Miranda, Maria Luiza Salomão, e outros, tantos outros. Se pouco sabemos de sua vida particular, ficamos com parte de sua visão de mundo, de seus sentimentos ao lhes ler as páginas.

Que força é esta a impulsionar a mente criadora?

Em qualquer tempo, a verdadeira mente criadora reside numa criatura humana e se manifesta de forma anormal, profundamente sensível. Para ela, um toque é uma pancada, um som é um barulho, um azar é uma tragédia, uma alegria é um êxtase, um amigo é amado, um amante é um deus, falhar é morrer, um luar é o suave caminho diáfano que nos leva à concretização de nossas ilusões... Ou, se quiserem, tudo ao contrário: um deus é um amante, uma tragédia é um azar e assim vai.

Molto bene!

Junte a este organismo cruelmente delicado a irresistível necessidade de criar, criar, criar de tal modo que, sem criar música, poesia, prosa, livros, quadros, edifícios ou algo significativo, não se consegue respirar. O autor deve criar, deixar extravasar a criação. Por uma urgência estranha, desconhecida, interior. O autor só está realmente vivo quando cria.

Vejam bem como as coisas agem no mundo da criação. Dizem que uma foto vale mais que mil palavras. Foto também é criação, mas as palavras exigem mais suor. Aí vem o problema sobre fotografias e palavras. Atire-se num lago e comece a engolir água. Depois, em vez de gritar SOCORRO!, exiba nas mãos uma fotografia de você se afogando. Se nesta última circunstância alguém for salvá-lo imediatamente, eu mudo de opinião.

Eu me interesso por este assunto. As fotos de Atalie nos fazem remontar ao passado, reviver certas emoções; os textos de Mauro Ferreira provocam as mesmas sensações. Eis aí um casal que mexe nos nossos sentimentos pela escolha e exposição de fotos e palavras. Pensando bem, estou começando a mudar de opinião. Percebem?

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