As cores da Democracia

Por: José Antonio Pereira

O voto direto, instrumento democrático básico, tem história no Brasil.

Desde a República Velha houve fraudes eleitoreiras, depois a presença intimidadora dos “coronéis” no interior do Brasil, a roda política Café com Leite, São Paulo-Minas. Até que um gaúcho acabou com a festa e o golpe de 1930 abriu ditadura populista, era Vargas. De 1937 a 1945 o Estado Novo acabou com a democracia, Vargas perseguiu e prendeu os opositores à sua ditadura, com laivos de simpatia mortífera com o nazismo importado. Em 1945, Vargas organiza as eleições diretas e é eleito Gaspar Dutra.

Este período entre 1946/1964 - é considerado a primeira real experiência de regime democrático. Mas Gaspar Dutra, autoritário, desrespeitou a constituição vigente para impedir o crescimento vertiginoso dos comunistas e conter o avanço dos movimentos sociais e sindicais dos trabalhadores.

Em 1956 é eleito JK, depois de momento crítico. Vargas, em mandato 1951-1956, suicida-se em 1954. O general Lott, então ministro da Guerra, entendeu que haveria ameaça ao futuro Presidente eleito pelo voto e declarou estado de sítio, para garantir a posse de JK. Como primeiro presidente que cumpriu o mandato de 5 anos, este entrega a faixa presidencial a Jânio Quadros, que renuncia em 1961. Comentou-se a renúncia como manobra para ganhar maior poder sobre o Congresso, já que seu vice, João Goulart, era considerado ameaça aos conservadores, por ser esquerdista.

Daí a virada, o golpe militar de 64. Sem eleições ficamos por 20 anos, até que eclode a maior mobilização pública da História do Brasil, em 16/04/1984, no Vale do Anhangabaú, Capital. Mais de 1.5 milhão de pessoas apoiaram o Movimento das Diretas Já, liderado por Tancredo Neves, F. Montoro, O. Quércia, Fernando H. Cardoso, M. Covas, Luiz I. Lula da Silva, Pedro Simon e artistas e intelectuais engajados na causa. Tancredo, eleito indiretamente, em Colegiado, morre, segue o vice Sarney. Início da Nova República. Cores diferentes separam o grupo das Diretas, como vemos hoje.

Muito reboliço econômico no país depois, em 1990, Collor é eleito e, em seguida sofre o impeachment. Itamar Franco assume e segue até 1994.

Fernando H. Cardoso é eleito, em 2 mandatos (de 1994 a 2002), assim como Luiz Inácio da Silva (2002-2010) - pela primeira vez, um eleito passa o governo a outro eleito, de modo espichado.

O que aconteceu dia 3/10/2010 é para ser comemorado. O povo não aceitou retóricas populistas, nem indicações de pesquisas eleitoreiras. Decidiu que quer pensar mais, seguiu o sinal verde de Marina Silva que pediu, em desarmado olhar na TV, para o povo não ser conduzido a um plebiscito, pró ou contra o governo. Traz a Ética de volta ao cenário político: transparência e programas alternativos. Seu belo sorriso vitorioso mostra o avanço na consciência política brasileira (mais de vinte milhões de votos).

Vozes são ouvidas, se houver instrumento direto para que se expressem, em cores de arco-íris, após chuvas e trovoadas. Qual brasileiro o povo capacitará a encontrar o lugar e o conteúdo do pote de ouro nacional, ao fim do arco-íris?

Para mim, hoje, é o povo brasileiro que brilha feito ouro!

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