Voos da fênix

Por: Eny Miranda

“Eu era o guardado
de sinistras covas!
E hoje visto nuvens
cândidas e novas!”

Cecília Meireles
in O Ressuscitante

Qual o rugido da morte?
A cor, o molde, o tempo...
Desta que apaga os nortes,
Os sois, os sóis, os céus, as sortes?

Um uivo, um baque, um urro.
A súbita noite, imensa;
As súbitas sombras, densas;
As pedras súbitas, rígidas nuvens.

O céu espesso, penso, escuro:
Estreito, tenso, tórrido ventre telúrico.
Nos vagos olhos, frágeis sóis errantes;
Frágil a vida, nas vagas luas minguantes.

Os preciosos dourados veios
Na mórbida fornalha
São visões lúgubres de mortalha
Em útero sufocante.

Nos olhos, nos rostos, nos gestos,
A ânsia de homens-feto
Pelo partejar do monte.

E qual a música da vida?
A cor, o molde, o tempo...
Desta que acende os nortes,
Os sois, os sóis, os céus, as sortes?

Túneis brotando na rocha...
Vozes chegando no escuro
Em cantos de renasceres...
Promessas de voo de uma nova Fênix.

Risos e lágrimas soltos no seio do sol...
Vertentes de amor se abrindo
Desaguadas nas areias...
Asas despontando em cápsula de aço...

Olhos colhendo reveres escondidos no deserto...
Braços e corações garimpando abraços e afetos
Em abertas minas de acolheres...
Luzes e nuvens beijando azuis nos poentes...
Veios e veios de ouro brilhando nos lestes
E nas almas de homens re/nascentes.

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