Os nanocontos de Edson Rossatto

Por: Cesar Mancini

Os nanocontos estão para a literatura assim como as tiras estão para os quadrinhos: uma mensagem rápida, de sentido completo e instantâneo, num espaço reduzido. O escritor e roteirista Edson Rossatto vem se dedicando ao gênero nos últimos meses e acaba de reunir sua produção no livro Cem Toques Cravados (Andross Editora, 128 páginas, R$ 19,90), que tem lançamento no dia 4 de novembro, em São Paulo, na Livraria Martins Fontes.

Alguns dos nanocontos apresentados na obra são inéditos, enquanto outros foram publicados originalmente no blog www.cemtoquescravados.com e no Twitter (@cemtoques)..

A experiência de Rossatto com textos curtos vem desde 2004, quando escreveu o livro Curta-Metragem exclusivamente com textos de até 600 caracteres, os chamados microcontos. Nos anos seguintes, editou duas antologias, Expresso 600 e Histórias Liliputianas, ambas de microcontos.

Inspirado no livro 16 Linhas Cravadas, do escritor e ator Mário Lago, Rossatto impôs-se o desafio de escrever os nanocontos com exatos cem caracteres, como Mário se impôs escrever com exatas 16 linhas. O autor lembra que outra inspiração foi o trabalho dos desenhistas de tiras de quadrinhos. “Como não sei desenhar, parti para um formato literário que tivesse o mesmo efeito das tiras”, explica.

Recheados de fina ironia, os nanocontos de Rossatto assemelham-se a outro gênero literário, a crônica. Em sua maioria, são instantâneos do cotidiano, mas há também textos em forma de epitáfios, classificados e outros. Um exemplo:

“Triste, afogou as mágoas na bebida e acabou com tudo: mandou chover quarenta dias e quarenta noites.”

“Queria que o pai comprasse um novo porque o outro morreu. “Irmãos não são vendidos em lojas, filho”.

“Só acredito vendo”, disse Tomé. Então Jesus se deitou no chão e fez trezentas flexões em um minuto.”

“Mãos dadas pelas ruas. Ele conduzido por ela. Coração apertado pela separação: primeiro dia de aula.”

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