Pequenas vergonhas que passei

Por: Mauro Ferreira

O turismo é uma indústria importante para o futuro sustentado das cidades. Gera empregos e renda, motiva novos negócios, amplia os horizontes culturais das pessoas, permite conhecer outros modos de viver, importante para desenvolver uma cultura de paz e tolerância para aquilo que nos é diferente. Com a expressiva vitória do PT de Dilma, o Brasil deu um claro recado contra o preconceito e o ódio e a favor das políticas sociais de desenvolvimento.

Dito isto, um casal de velhos amigos combinou que viriam visitar Franca. Como aplicado guia turístico, prontifiquei-me a desvelar lugares e maravilhas da velha Franca do Imperador, querendo apresentar nosso pequeno pedaço do planeta como um bom lugar para se viver. Como são ligados à arquitetura e às artes, obviamente incluí uma visita ao Laboratório das Artes e a lugares onde pudessem apreciar arquitetura, história, arte e culinária, pois seu tempo seria reduzido.

Procurei na prefeitura um folder turístico para eles. Encontrei “Franca, uma cidade que tem brilho próprio”, editado pela FEAC, órgão encarregado por Sidnei Rocha para cuidar da cultura local. Embora envergonhado, tal a quantidade de erros factuais, de português, de digitação e outras bobagens escritas numa simples folha A4, não havia outro e o entreguei aos amigos. O texto afirma que a terra roxa é a “mãe” do melhor café do mundo, que Franca possui monumentos históricos como a “fote” (sic) Água da Careta, marco histórico da cidade no período dos... bandeirantes. Primeira pergunta deles: “onde fica esse monumento bandeirista?” Foi a segunda vergonha que passei.

O Relógio do Sol teria sido construído por frei Germano Arnecy (sic). O texto informa que no Shopping do Calçado podem-se comprar sapatos e que a cidade dispõe de inúmeros bares, restaurantes, pizzarias e cafeterias. Comentário irônico do amigo: “haveria texto mais informativo que este?”

Pior ainda, o danado logo achou uma foto que ilustra a “capital do basquete”: é do time americano do Lakers. “Não existem fotos do time de Franca?”, gozou-me ele, antigo torcedor do Sírio. Havia mais: uma das fotos mostra uma revendedora de carros. Imagino que seu significado é que Franca possui muitos carros. Outra foto fora de escala mostra o que parece ser um pintor acadêmico amigo do pessoal da FEAC diante de uma tela, mas é impossível visualizar pela sua redução desproporcional. Ao lado, uma paisagem urbana que parece não ser Franca. O desenho do mapa mutila o estado de São Paulo e apresenta distâncias incorretas entre a cidade e capitais do Brasil, comentou o amigo. No final de tudo (ou do nada?), aparece um texto sobre os irmãos maristas e o Colégio Champagnat, que nada tem a ver com o Febeapá do Stanislaw Ponte Preta. Literalmente, dinheiro público jogado fora.

Não é à toa que a AEC não virou casa da cultura e as casas desapropriadas com nosso dinheiro para fazer um museu daquela atriz que tinha medo do Lula, o presidente melhor avaliado da história do Brasil, permanecem abandonadas.

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