Pão e chocolate

Por: Marco Antonio Soares

A haste da caixa de engraxate era garra rija a pressionar-lhe o esquálido ombro. Seus passos vacilaram em minha direção.

O ato de pedir é matéria dolorosa em qualquer idade, em qualquer tempo, no entanto, timidamente o menino se aproximou, com voz arrancada de dentro do peito, pediu-me alguns trocados para que pudesse comprar cadernos. Ergui os olhos levemente, as estrelas encapelaram-se por de trás de tênue véu de amargura.

Vasculhei por entre os farrapos da minha consciência, tentando encontrar algumas misérias que trazia comigo. O pequeno aguardava num esperançoso cansaço. Dei-lhe o dinheiro. Agradeceu-me rapidamente.

Meus olhos envergonhados seguiram seus passos ligeiros. Vi-o entrar no pequeno bar e cumprir “sua incrível aventura de pão e chocolate.”

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