Quasares

Por: Silvana Bombicino Damian

Quando a mãe levantou por volta das cinco e deu uma espiada no quarto do menino, viu a janela aberta. Ela não sabia que aquela seria a primeira de muitas noites que viriam, onde o pequeno travaria ferrenha luta com o sono até ser vencido por este e ainda assim continuar, agora nos sonhos, sua jornada céu estrelado adentro.

Super-novas, anãs brancas, gigantes gasosas, pulsares, satélites e astros imponderáveis, percorriam os olhos da imaginação do menino que despertava para os mistérios e belezas do universo, e para a realidade-sonho-ficcão que a noite lhe acenava. O inconcebível começava o tomar forma dentro e fora dele, relativizando o conhecimento adquirido durante seus poucos anos de vida.

Cuidadosamente a mãe fechou a janela e saiu do quarto sem suspeitar que o caminho do filho começava a ser delineado; tangível e etéreo, realidade e sonho, criação e caos. Poesia.

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