A vida ritmada

Por: José Antonio Pereira

Ao avistar um tsunami, fure a onda, feche a boca, prenda a respiração enquanto o turbilhão passa, enchendo os ouvidos, tremendo a pele, escovando os cabelos. Depois respire, inspire, expire, recupere o ritmo, o fôlego, a voz, o coração.

Quando a correnteza te pegar, deixe-se levar, não lute, espere o rio te empurrar para a margem, qualquer margem pode se tornar um galho, uma bóia, um chão. Antes se deixar conduzir que afundar.

Quando em alto mar o vento parar de soprar, relaxe, barriga para cima, olhe o sol, o céu, as estrelas, procure a lua, aspire a brisa, não se debata. Mesmo que não veja um porto, ou um barco no horizonte, até algo melhor acontecer...fique quieto. Antes sem Norte que sem futuro.

Quando o mar não está para peixe, nada de mergulhos, fique ao sabor da onda, do vento, da corrente, da respiração. Um dia este tsunami vai passar, a correnteza vai passar, a ventania não se controla, o infinito terá um horizonte qualquer.

Sempre é bom lembrar que há luz na esperança, combustível da vida que se movimenta, quando o breu engessado da certeza nos cega.

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