Fica proibido o esquecimento

Por: Marina Garcia Garcia

“Não se esqueça de mim”. Dito assim, naquele momento, é coisa para não se esquecer jamais. A janela fechada não permitia saída de nada, nem do pensamento, nem do cheiro forte de remédio. Difícil era se concentrar naquele olhar vidrado quando o desejo era sair voando, carregando você nos braços feito filme de super-homem.

Esquecer como? Se você está presente na minha afobação, no sorriso frouxo ou na exagerada tristeza, no gosto pela terra, no medo de chuva, na falta de desconfiometro, no excesso de zelo, no trágico e no mais além. Você é tão eu quanto eu mesma.

Por isso, a frase sempre me vem nas boas horas e também nas outras para lembrar-me do compromisso firmado naquele inevitável instante.

Não se esqueça de mim! Não posso perdê-la porque se o fizer, perderei a mim mesma. Somos, indubitavelmente, alteridade e identidade. Sou seu reflexo você, meu espelho.

Pela porta entrou o funesto vento. No meu coração ficou a sombria noite de despedida.

E você, se esquecerá de mim?

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras