A linguagem dos sinos

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Ela, desde criança, angustiava-se ao ouvir o badalar de um sino. Mas se menina ainda, não entendendo de sentimentos ou emoções, por que então, ao ouvir o sino, aquele aperto doído bem lá no fundo do seu coração de criança? Lembra ainda que levava as pequenas mãos aos ouvidos, corria a se esconder e aquela vontade de chorar e chorava.

Lembrava também a sua adolescência, numa época bem distante, morando naquela cidade simples, acanhada mas acolhedora: a praça pequena e bem cuidada e no centro da praça a Igreja Santo Antônio, o padroeiro da cidade.

E era o sino daquela igreja que ela ouvia, num toque melancólico, quase triste, como que a chamar as pessoas para a reza do terço ao final das tardes. Aos domingos, a mesma sonoridade que se espalhava por todos os cantos até que se juntassse todo o povo para que a missa pudesse começar; mas ela, ouvindo o sino, só sentia vontade de chorar e chorava.

Hoje, aqui em Franca, no bairro onde mora pode ouvir bem de perto o som harmonioso do sino da igreja São Sebastião, bem como o toque suave e musical que vem do sino de igreja mais distante, a bela e majestosa Catedral.

— Então ela não chora mais quando ouve a estranha melodia?

— Às vezes sim, às vezes não, mas se ouve, ela para, se cala e espera porque compreende agora a linguagem dos sinos que falam pouco de mágoas e muito mais de alegrias.

Falando com os sinos e sem chorar, ela compreende agora porque os sinos tocam e “por quem os sinos dobram”.

Farisa Moherdaui
Professora

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