A dor que não tem cura

Por: Heloísa Bittar Gimenes

Geralmente meus textos são para despertar as boas recordações e acalentar a alma, porém este trata da dureza do real, do significado das palavras adeus e saudade. Ainda assim, procuro nas palavras motivação para seguir em frente, tentando fazer um contorno neste imenso vazio que fica, quando a natureza inverte os fatos e pais enterram filhos. Por isso escrevo, querendo elaborar essa grande perda.

O nome Ana Beatriz significa: aquela que é bem aventurada, cheia de graça, que tem compaixão. Assim foi a minha menina. Veio ao mundo para literalmente colorir nossos dias com seu entusiasmo, sorriso e bondade. Aventureira, sempre preferiu vôos incertos à certeza que habita as gaiolas. Construía amizades com a intenção de fazê-las sonhar, bater asas, rir, dançar. Com os amigos e família eternizou seus melhores momentos, registrados nas fotos e depoimentos que ficaram no orkut, facebook, no mural.

Em 2011 conquistou o sonho de morar fora, ser universitária; estava radiante, radiosa. Ligava-me diariamente e dizia: Mãe, é bom demais tudo isso!!! Estou feliz!!!

E nessa tentativa de viver intensamente cada momento, de ser feliz, partiu para nunca mais voltar. Precocemente, no auge dos seus 19 anos.

Não posso relatar em palavras a dor que vai na alma... Os pensamentos estão ainda rígidos, fixados no acontecimento, na cena e em milhões de interrogações que perturbam toda e qualquer tentativa de sintonia. Porém acredito que Deus se mostra presente quando prepara amigos e família para oferecerem carinho, respeito e solidariedade.

Se consegui sobreviver e cá estou escrevendo é porque em nenhum momento fiquei sozinha. Ombros e mãos me foram delicadamente ofertados, trazendo-me conforto. Cada pessoa que me abraçou, chorou comigo, trouxe-me esperança de prosseguir o meu caminho; mesmo sabendo que me faltará a flor que encantava meu jardim.

Ana Beatriz também foi amparada pelos familiares e amigos que lhe levaram medalhinhas, orações, fotos, mensagens e tudo mais como uma grande manifestação de carinho e amor.

Dor, desespero, lágrimas, angústia e muitos outros sentimentos me dilaceram; inevitável. Mas são os olhos marejados de lágrimas dos meus pais que me fazem reagir; a esperança de ser feliz da minha filha Ana Júlia que me faz levantar; os braços abertos de meu marido à procura de meu abraço que me fazem prosseguir; as orações, mensagens de fé, otimismo que chegam até mim, que me fazem acreditar que uma hora vou inventar algo para lidar com a dor da saudade.

Não sei o que me espera daqui para frente. Mas sinceramente conto com as orações que possam me levar para o caminho da fé e aceitação. E principalmente poder acreditar que minha menina está bem, mesmo estando longe de mim. Te amo, filha!... Isso é pra sempre. Estarei um dia novamente contigo. Que assim seja, amém...

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras