Inadaptada

Por: Marina Garcia Garcia

-Alguém sabe que horas são?

- São 4h20m.

- Obrigada!

Que engraçado! É difícil achar quem tenha relógio hoje em dia. Todo mundo só usa celular. Fiquei observando as pessoas ao meu lado, nenhuma tinha relógio.

Credo! Me senti jurássica. Como assim? Ninguém usa mais relógio de pulso? Tem coisas que fazem a gente avaliar a nossa adequação neste mundo. Esta foi uma delas. Custei a me acostumar com celular. Quando ele toca, até que eu o encontro na bolsa, ou quando não em algum lugar na casa, a pessoa já desligou. Vê lá se eu vou ficar procurando o aparelho para saber a hora! Sou adepta do bom e velho relógio de pulso. Ele fica ali paradão (ou trabalhando), de vez em quando pede uma pilha, mas lá firme, me mostrando a passagem das horas. Às vezes, como gostaria que corresse quando o momento é de aflição, ou que se demorasse em ocasiões de contentamento ilimitado.

Quando ganhei meu primeiro relógio achei que era a coisa mais formidável que podia me acontecer. E agora, que obsoleto! Tão quanto a meia fina, o pingüim de geladeira, a máquina de costura de pedal, a fita cassete, o DVD, o disco de vinil, a penteadeira enfeitada de toalhinhas de crochê, a cristaleira, a brincadeira dançante, a calça boca de sino ( alguém ainda se lembra?); fazer touca para alisar cabelo... Enfim... Chega, né? São sinais de passagem do tempo, de costumes que mudam, de moda que vai ficando ultrapassada, de tecnologia que vai invadindo nossa vida tão comum.

Mas de uma coisa eu não abro mão: relógio de pulso.

E por falar nisto, que horas são?

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