Flor silvestre

Por: Caio Porfirio

Arrancou a flor silvestre à beira da estrada e deu-a gentilmente a ela que passava. Apenas sorriram e não se falaram.

E agora estava ele sentado no velho banco. O olhar na estrada silenciosa a sua frente.

Ela chegou, sentou-se ao seu lado, calada. Viu-a abrir a caixa nos joelhos, os dedos nodosos procurando abri-la.

- Quer que a auxilie?

- Não é preciso.

Conseguiu abri-la. Ele viu folhas e talos secos quebradiços guardados nela.

Ela murmurou:

- São de uma flor colhida na beira desta estrada.

- Antigas, não?

- Muito.

- Quem lhe deu?

- Não sei. Alguém que passou por mim. Vim apenas mostrá-las de onde vieram.

Fechou a caixa com cuidado e, sem despedir-se, partiu.

Ele, indiferente, apanhou uma folha seca que caíra, ficou a quebrá-la, e lhe veio uma vaga lembrança do passado distante.

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