A vida on line

Por: José Borges da Silva

Na semana passada quando voltava do Fórum Estadual, onde fora ver processos, quase fui atropelado por um carro belíssimo, com carenagem estilizada lembrando automóvel de competição. Ao volante, uma moça mais bela ainda falava ao celular. Eu atravessava a avenida em frente à Casa do Advogado, além daquele ponto em que os carros se amontoam para ingressar na praça rotatória. Atravesso atrás do pelotão de autos para evitar ser colhido pelas motocicletas que circulam entre eles. Bem, eu levei o susto porque fui desatento: naquele ponto da avenida se formam de três a quatro filas para entrar na rotatória. E eu não notei que na pista em que vinha a moça com sua máquina, o último veículo já estava há uns dez metros do ponto em que eu atravessava. Ou seja, eu não percebi que na fila em que ela vinha os automóveis haviam andado mais depressa. A moça estava longe ainda, mas, para evitar que alguém tomasse o seu lugar ela acelerou. O fato é que tive que dar um salto, deixando cair alguns papéis e uma caneta esferográfica que acabou atropelada. A moça, por seu lado, quase deixou cair o celular pela janela, além de parar a centímetros do carro da frente. E penso que também assustou alguém do outro lado da linha, porque eu a ouvi se desculpando ao telefone. Passado o susto, fui meditando pelo caminho sobre o motivo da pressa que tornou o trânsito uma competição maluca. Sabemos que não é só no trânsito que há pressa, mas é nele que ela fica evidente.Mas isso parece paradoxal com a tecnologia de que desfrutamos atualmente. Sobretudo com a Internet, que nos dispensa de ir a muitos lugares. Por exemplo, de ir ao banco pagar contas, de ir à loja fazer compras, de ir ao correio postar correspondência, etc. Ora, se até fazer amor é possível pela Internet, aonde, então, as pessoas vão com tanta pressa? Não saberia responder em relação à vida em geral, mas nas ruas, parece que há apenas competição de máquinas, nada mais. Exibição de potência, beleza, dirigibilidade, até de volume de somà Senão, como justificar esses sujeitos que correm, aceleram, infernizam as ruas com ruídos altíssimos, mas passam a maior parte do tempo parados nos congestionamentos? Bem, parece que para as pessoas de fato têm muitas coisas pra fazer, haverá mudança radical nos meios de transportes num tempo não muito distante. Trata-se do teletransporte que, segundo se especula nos meios científicos, anda em fase de testes com objetos inanimados, o que faz supor que mais adiante poderá ser usado para transportar pessoas. É algo parecido com o sistema do filme Jornada nas Estrelas, só que a pessoa entra numa cabine, aperta um botão indicando o destino e já pode descer, no destino indicado, seja ele qual for. É uma novidade da Física Quântica. O sistema usará a rede, claro. Quem não ouviu falar do computador quântico? Nas compras pela Internet, os pedidos, os pagamentos e as entregas serão feitos eletronicamente. Naturalmente, aqueles que usam os recursos da informática mais ou menos como eu devem estar preocupados. Não tem aquele negócio de enviar um arquivo e ele não chegar ao destino e, enfim, desaparecer de vez? E os piratas? Não os falsificadores de produtos, falo dos saqueadores dos mares, será que migrarão para a rede? Bem, teremos polícias especializadas em encontrar pessoas e bens desaparecidos nessas circunstâncias, e também em perseguir piratas eletrônicos, claro. É o que dizem os mais otimistas.

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