Uma oração para Liz

Por: Téo Lopes

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Senhor, tu criastes a Floresta Amazônica, dizendo: cresçam tantas árvores que até Eu perca a conta. E criastes esta maravilha da natureza, sem nos deixar saber o que é mais belo, se é o que ela mostra ou o que ela esconde.

Mas não é, Senhor, a coisa mais bonita que criastes.

Tu, Senhor, dissestes um dia às águas do Iguaçu: chega de mediocridade, despenquem da forma mais bonita que puderem. Inaugurastes assim um dos mais belos espetáculos da terra.

Mas não é, Senhor, a coisa mais bonita que criastes.

Quando a Terra estava demasiado plana, o Senhor encheu os pulmões e mandou: levanta-te e encha os meus olhos. Ergueram-se assim as mais belas montanhas, o Monte Everest, os Alpes, a cordilheira dos Andes, o Kilimanjaro, etc, e outras que o Senhor ordenou que cuspissem fogo para dar um efeito ainda mais impressionante, Etna, Vesúvio, Mauna Loa, todos eles fizeram os anjos baterem palmas...

Mas não é, Senhor, a coisa mais bonita que criastes.

Cochichastes ao rio Colorado: amigo, tens 6 milhões de anos para esculpir algo que Eu não vá esquecer por toda a eternidade... Dessa maneira sutil, idealizastes o Grand Canyon, e dele com certeza não te esquecerás.

Mas não é, Senhor, a coisa mais bonita que criastes.

Deixemos então a Terra, Senhor. Pois fostes tu quem criastes todas estas estrelas e constelações, estes planetas, cometas, buracos negros... Enfim, naquele grande grito de suprema criatividade, espalhastes o Universo por todo lugar.

Mas não é, Senhor, a coisa mais bonita que criastes.

Hoje eu te digo, Senhor, com toda a certeza, pois tenho uma vida descansando em meus braços, que eu descobri a beleza insuperável.

A tua mais bela e perfeita criação, Senhor, é o corpinho de um bebê recém-nascido.

O que são todas estas estrelas e constelações diante desses dedinhos que, sem querer, apontam para mim?

Valem alguma coisa todos esses planetas e galáxias em comparação a esse narizinho que, tão miudinho, já sabe respirar?

O que faz o universo diante da mais pequena e singela vida?

Ajoelha e admira.

Senhor, hoje eu posso te entender um pouco. Pois toda essa criação gigantesca e insondável é na verdade algo muito simples...

Tu criastes o infinito, mas fizestes também caber, neste pedacinho de gente, uma pureza infinita.

Senhor, tu criastes esta coisa absurda e incontrolável, que apavora e apaixona os homens dessa Terra, chamada eternidade.

É certo, quem pode compreender a eternidade?

Mas hoje, Senhor, tenho uma pequena vida em meus braços.

Ou seja, a eternidade descansa no meu colo.

E faz grande esforço para abrir os olhinhos...

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