Eu e o mar

Por: Farisa Moherdaui

Por oito dias, o mar inteiro aos nossos pés e olhos fascinados a contemplar o verde das águas, o azul do céu e as gaivotas parecendo bailarinas, volteando o espaço entre céu e mar. Sofia, Lizete e Farisa a participar de um cruzeiro, viagem em mar aberto, naquele navio majestoso. Três primas, três amigas alojadas em confortável cabine com varanda e quando descerrada aquela porta, a sensação de que o mar era delas e de mais ninguém.

E foi numa manhã que eu, a sós na varanda, contemplando a natureza, avistei lá longe no mar aquele barquinho ou jangada, nem sei, que parecia emergir das águas. O timoneiro, pescador talvez, sozinho a manobrar a frágil embarcação, gesticulava numa saudação à qual eu correspondia com os mesmos gestos, pensando por quanto tempo talvez aquele homem estaria longe do lar, da família.

Mentalmente, como se ele estivesse a me ouvir, perguntei:

Hei, você aí, corajoso homem do mar, o que leva no barco? A rede vazia ou, queira Deus, os peixes que garantem seu ganha-pão, o sustento de seus filhos. Não pense você, pescador, que estou aqui neste navio luxuoso me fazendo posar de madame. Saiba que a muito custo fui juntando economias para empreender esta viagem que me encanta e me faz invejar você porque o mar, o céu, até as gaivotas, tudo isso é seu. Que privilégio, hein, pescador? ! Sabe, amigo, eu já vou voltando para a minha terra, carregando lembranças, mas os peixes do mar, deixo-os todos para você.

Num momento vi o barquinho se distanciando, levando o pescador que continuava a agitar os braços como que a dizer:

- Vá com Deus, senhora.

- Bom trabalho, pescador, que Deus e o mar estejam sempre com você.

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