Unicamente mais um

Por: Mirto Felipim

Deitado, ouve todas as vozes, pai, mãe, amigos, desafetos, de tudo. A proximidade do provável silêncio da libertação embaralha sua sanidade. Na vertical, olhos cinzentos, faces cinzentas, palavras cinzentas o observam e sentenciam. Na horizontal vislumbra o derradeiro cansaço que se aproxima, enquanto o sol das almas trava um duelo interminável com as nuvens, salpicando vez por outra sua face. Simplesmente, agoniza.

A descoladinha desce o vidro do carro, estica o pescoço, cospe o chiclete e, voltando-se para o namorado, ordena: dá um jeito aí, buzina e vai passando, é apenas mais uma merda de motoqueiro, que se deu mal, atrapalhando a gente.

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