Filho único

Por: Farisa Moherdaui

“Ser mãe é desdobrar fibra
por fibra o coração”


É amar incondicionalmente o filho, ou os filhos, sejam quantos forem. É um amor sem igual que de maneira carinhosa e fácil a mãe consegue repartir porque mãe é mãe e pronto.

O que não é fácil é ser o filho único, aquele que desde criança vem carregando uma bagagem que a cada dia pesa um pouco mais. E algumas vezes esse mesmo filho se vê perguntando:- por que só eu? Por que não um irmão ou irmã? E com o passar do tempo o filho único até vai se acostumando com o discurso da mãe:

— Filho, faça a lição bem feita; não suje as roupas nem os sapatos; vá lavar as mãos; não demore no banho, não fale com a boca cheia, escove bem os dentes, e assim por diante. E ele, o filho único, por vezes obedece ou simplesmente faz de conta.

Um tempo mais tarde:

— Filho, estude bastante e logo você estará na faculdade de medicina e será um grande médico, né? E aquela moça bonita, filha da vizinha? Vejo nela a namorada ideal, a excelente esposa. Quem sabe, depois de casados, possam me dar muitos netos.

O filho único ouve a mãe ainda no faz-de-conta, pois não pretende ser médico, muito menos casar com a filha da vizinha e nem ter uma penca de filhos.

Finalmente, o dia em que deixa a casa e a mãe querida, para estudar na capital. A bagagem, ele a sente mais pesada, porque dentro dela estão a sua esperança, os seus anseios e a certeza de que vai vencer graças ao amor e dedicação daquela exigente mas muito querida mãe de um filho único.

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