Banca de advogado

Por: Chiachiri Filho

Desde muito cedo interessei - me pelos estudos jurídicos. A profissão me atraía pelo leque de possibilidades que tinha a oferecer. O bacharel em Direito podia ( e pode ) exercer, dentre outras atividades, a de Juiz de Direito, a de Promotor público, a de Professor e a de Advogado. Pode até ser político: sua formação dá-lhe uma excelente base para a elaboração ou a execução das leis.

Comecei pela advocacia. Naquele tempo não havia exame da OAB. O estudante de Direito recebia a carteira de Solicitador Acadêmico e já podia advogar com a supervisão de um advogado experiente. Tão logo recebi a carteira, resolvi, com outros colegas, montar um escritório. Éramos em 7: o Paulão, o Carlão, o Marcão, o Zazá, o Toninho, o Vaninho e eu. Alugamos uma pequena sala na Marechal Deodoro, entre a Major Claudiano e a Campos Sales, arrumamos uma mesa, uma máquina de escrever, algumas cadeiras e começamos a funcionar. Escalamos o horário de cada um de maneira que o escritório ficasse aberto 8 horas por dia. Esperamos com a maior paciência o primeiro cliente. Enquanto ele não chegava, olhávamos as fotografias do último baile da AEC , tiradas pelo Jair, o fotógrafo, nosso vizinho de beco. Quase ao final do primeiro mês de funcionamento, apareceu-nos o esperado cliente. Era um homem da roça, muito simples e educado, que estava tendo uma questão de divisas com um outro sitiante. Entramos na parada, resolvemos a questão sem precisarmos iniciar um processo judicial. O nosso cliente ficou muito satisfeito mas, alegando falta de recursos, prometeu trazer-nos uns franguinhos lá do sítio.

Ficamos com o escritório aberto mais uns meses e não apareceu nenhum cliente e nem sequer recebemos os franguinhos prometidos. Resolvemos, então, fechar a banca de advogado. Faltaram-nos as “causas” e os alugueres venciam religiosamente todos os meses. Cada um dos sócios tomou o seu rumo. Dediquei-me inteiramente ao magistério. A quase totalidade dos companheiros de bancada fez o mesmo. Só o Carlão persistiu e, ao que parece, deu-se muito bem.

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