Sexo complexo

Por: Chiachiri Filho

Na Bahia, a vice-diretora de uma escola suspendeu duas crianças do mesmo sexo que estavam trocando carícias. Como conseqüência, a professora foi imediatamente exonerada. Sua atitude foi considerada homofóboga e a homofobia é um comportamento repudiado pela mídia e pela lei.

Vamos supor que essa mesma vice-diretora surpreendesse uma menina e um menino acariciando-se em pleno pátio. O que ela deveria fazer? Incentivá-los ou reprimi-los?

De acordo com as novas diretrizes comportamentais, o certo seria incentivá-los, estimulá-los ou, no mínimo, não importuná-los. Se a bolina é permitida entre criaturas do mesmo sexo, porque proibi-la entre sexos diferentes?

A Suprema Corte do Brasil sacralizou a união estável entre cidadãos do mesmo sexo concedendo aos ‘cônjuges’ vários direitos, inclusive, o de herança e o da aposentadoria.

Sem dúvida, a decisão do Supremo foi espetacular, avançada e ‘politicamente correta’. Porém, dela decorrem algumas questões que gostaria de colocar ao meu prezado leitor. Um sobrinho, que durante sua vida ou parte dela cuidou de um tio terá direito à sua herança ou à sua aposentadoria? Vamos mais além: duas mulheres que vivem debaixo de um mesmo teto sob um regime de mútuo auxílio, sem, contudo, relacionarem-se sexualmente, poderão reivindicar os mesmos direitos?

Enfim, a grande questão que se coloca é a seguinte: para que se tenha os direitos garantidos pelo Supremo Tribunal, as pessoas do mesmo sexo que moram numa mesma casa em cooperação recíproca, precisam praticar o ‘coito danado’?

E tem mais. Se, por alguma infelicidade , a união estável se desfizer, com quem ficarão os filhos adotados? Com o ativo ou com o passivo? Vão acabar ficando como ‘restos a devolver’.

A Justiça é para todos. Por isso, penso que os direitos de herança e a vinculação da aposentadoria abranjam a todos que vivam sob o mesmo teto e sob dependência recíproca, independente da assiduidade de suas ‘conjunções carnais’.
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras