Coração vivo

Por: Tânia Liporoni

Com o tempo, aprendi coisas. Aprendi a valorizar os dias, as horas, os minutos, os segundos, a colocá-los nas mãos, como quem não os quer deixar seguir, seguir em frente, e o tempo passar, ir passando. Com o tempo, aprendi um jeito de não chorar, de engolir o choro, deixá-lo para depois. Com o tempo aprendi um jeito de disfarçar, mascarar o dito pelo não dito, o feito pelo não feito, a desconversar. A não fazer a tristeza prioritária, mudar de foco, distraí-la. E, esperar que se vá. Descobri como jogar conversa fora, rir, tirar diversão de pedras. Dar valor no que está disponível no momento. Tentar ver o lado bom que nem sempre há, mas é preciso buscar. Desenvolvi, com o tempo, um jeito de ser feliz na marra, contra tudo, um jeito de não fixar muito no difícil e mais no compensável. Agora sei como dormir . Desisti de controlar tudo, todos. Muito se resolve por si, enquanto isso, durmo. Não busco mais segurança desenfreadamente pois ela só vem quando desistimos dela. Aprendi, num segredo, a mudar de assunto na cabeça, a pensar em outra coisa, a me proteger sem fugir. Poupar um pouco esse coração louco. Na maioria das vezes dá certo. As coisas não são fáceis e viver, como diz o Rosa, é muito perigoso.
 

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