Os toques de Midas

Por: Chiachiri Filho

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O estudo da mitologia grega é deslumbrante. Revela-nos caracteres e comportamentos, vícios e virtudes, ações e reações que são próprios da humanidade em todas as épocas e lugares. Onde houver homens, haverá paixões, cobiça, bondade, maldade, guerra, tortura, traição, engodos, trapaças, inveja, ciúme, mágoas, vingança... A mitologia recolhe tudo isso, e lhe dá as dimensões da fantasia, da intemporalidade e da repetibilidade.

Vejamos o caso de Midas. Midas era rei da Frigia, região da Ásia Menor ( Turquia atual ) . Recebeu do Deus do Vinho o dom de transformar tudo em ouro. Bastava um leve contato para que a coisa tocada virasse um objeto de ouro maciço. Até a filha do rei acabou tornando-se uma grande estátua de ouro.

Ao que parece, o feitiço de Midas acabou sendo apropriado por alguns políticos brasileiros. Depois de um período, breve que seja, no exercício de algum dos Poderes ( Executivo ou Legislativo ) eles se retiram para a vida privada, montam uma Assessoria ou Consultoria e passam a ganhar dinheiro como água. Transmutam-se em gênios das finanças, empresários de sucesso capazes de sair de uma lamentável indigência para a posse de uma grande fortuna. O que será que o Poder lhes ensina? O toque de Midas?

Somente a fórmula do “toque de Midas “, prezado leitor, poderia atrair para os Ministérios ou Secretarias cidadãos capazes de receber salários bem mais elevados nas empresas particulares. Somente o almejado toque de Midas poderia fazer com que um político gastasse várias vezes mais o que iria receber pelo exercício de um mandato parlamentar.

Midas, vendo sua própria filha transformada em estátua, percebeu as inconveniências de seu dom e pediu clemência ao Deus do Vinho. Mais tarde, por outra imprudência, ele receberia duas orelhas de asno. Os políticos brasileiros, quando retornam ao poder, voltam a ser pobres representantes do povo, sem qualquer genialidade administrativa ou financeira para resolver os problemas nacionais. O mágico toque fica suspenso para ser utilizado em ocasiões mais convenientes e oportunas. Quanto às orelhas do asno, elas acabam sempre enfeitando a cabeça do eleitor.
 

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