O caminho é incerto

Por: Tânia Liporoni

Fazia muito frio. Um frio que roupas, muitas, não pareciam suficientes. Meia embaixo da calça, blusa embaixo da malha, muita coisa embaixo e cachecol, gorro, luvas, botas. O frio estava mais no fundo. A música consolava, era companhia. Um vento interno, sem jeito. A paisagem, linda, mas não parecia assim. Tomava chá para se esquentar, vestia mais e mais. Precisava arranjar uma saída . Uma falta interna, um desassossego, um desalojamento. E, a ausência. Ausência de quê? De quem? Muitos ruídos internos mas não identificáveis. Como? Onde? Da janela via o sol numa fresta. Seguia atrás do pequeno raio, procurando a luz.
 

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