Quarto

Por: Lívia da Silva Inácio

Ela conhecia pouco sobre a vida, mas o bastante para achar que já sabia tudo. Para ela, embora fosse pequeno, o mundo já estava de bom tamanho.

Mergulhada em um universo limitado, ela mal imaginava que o universo não tinha limites. Talvez porque ainda estivesse presa em um leito redondo, que de tão redondo mais parecia um ponto final.

Um dia, o ponto se abriu e ela conheceu um trio de reticências que há muito tempo cantava à sua espera do lado de fora. Encolheu seus braços e fechou bem forte os olhos. Abriu as pálpebras devagar, devagarzinho... Teve medo das mãos que a seguravam firme. Chorou.

Aconchegada sobre um peito quente e terno, sentiu-se em casa outra vez. Suspirando bem leve, descansou seu pranto num sorriso de quem acabara de descobrir que o mundo era maior do que o ventre da própria mãe. Assim nascia Mariana.
 

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