Torres de Babel

Por: Chiachiri Filho

Gosto de ouvir as emissoras de rádio. Seus programas, geralmente, são bem melhores que os apresentados pelas televisões. Tento localizá-las nas ondas médias e curtas. Tento, mas dificilmente consigo. As ondas aparecem e desaparecem. Um chiado persistente e enervante acompanha sempre as transmissões. São milhares as emissoras de rádio no Brasil e quanto mais se multiplicam, pior fica a recepção. Quando moleque, eu ouvia , num rádio de válvulas com três faixas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a Record e a Bandeirantes de São Paulo e muitas outras. Hoje só dá para ouvir com nitidez (e olhe lá!), as rádios locais.

Com a telefonia está acontecendo a mesma coisa. Há no Brasil, atualmente, mais celulares do que habitantes. Contudo, a comunicação está cada vez mais problemática.

Dias atrás, quis falar com meu amigo Tunicão. Peguei uma velha agenda, encontrei o seu número , disquei e nada. Peguei uma lista telefônica recente e não o encontrei. Pesquisei em listas anteriores e os telefones constantes não respondiam. Procurei um amigo comum que me passou o telefone da filha do Tunicão. Toquei, toquei, toquei e nada. Fui informado que, possivelmente, sua filha estaria viajando. Telefonei para a portaria de um residencial onde, provavelmente, ele estaria morando. A portaria não sabia ou tinha ordens para não dar o número de seu telefone. Enfim, perdi o meu amigo Tunicão nesta megalópole francana. Continuo sem saber aonde ele está e qual o número do seu telefone.

A coisa anda assim, prezado leitor: quanto mais se criam, se aperfeiçoam e se desenvolvem tecnologicamente os instrumentos, os aparelhos, as centrais telefônicas, mais complicada e quase impossível fica a comunicação entre as pessoas. Para que tantos telefones se os seus números de acesso permanecem em sigilo? Para que tantas emissoras radiofônicas se elas se misturam e se entrechocam no éter tornando as transmissões intercortadas e inaudíveis? E as torres de transmissão se alastram por todos os cantos enquanto eu continuo sem me comunicar com o Tunicão que deve estar inserido , guardado, escondido e perdido numa dessas torres de Babel.

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