Minhas Flores

Por: Heloísa Bittar Gimenes

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Fui agraciada com duas lindas flores: Bia-flor e Juju-flor. Com elas pude aprender a importância do cultivo diário do amor, a necessidade de se fazer uma boa poda para seguir em frente e sentir a felicidade do aparecimento do botão para o desabrochar da linda flor. Manter um jardim sadio longe das ervas daninhas é trabalho árduo; porém quando a florada vem com força total , chegamos à conclusão de que valeram a pena os espinhos e o esforço exigido.

Bia-Flor não mora mais no meu jardim. Acordei e só vi o buraco de onde ela me foi arrancada. Senti-me traída, magoada, desesperada, mutilada e consequentemente indaguei ao Grande Jardineiro onde é que eu havia falhado. Sempre zelei do meu jardim, então por quê? Sem respostas imediatas restou-me orar, dia após dia, até que numa manhã acordo com uma frase invadindo meus pensamentos: Se aquiete em mim; cuide do que lhe dei e siga. Invadiu-me também uma sensação de bem estar e coragem.

Precisei de tempo para digerir o que estava sendo me oferecido; aliás, ainda preciso deste tempo e oração para continuar escrevendo minha história e levar adiante minha missão. Compreendi que meus sentimentos estão se decantando, o desespero dá lugar para o entendimento que me faz buscar o significado da palavra resignação para enfrentar a vida. Meus dias ainda não se mostram azuis e nem as noites estreladas; e se antes minhas histórias miravam para um futuro promissor, hoje, por enquanto, a saudade me faz buscar no passado alimento para suportar o presente.

E por todas estas razões, aceitei o desafio de me aquietar e confiar no Grande Jardineiro com a esperança de que cuidará de minha flor para que ela floresça onde estiver. Sei que meu amor agora tem outra dimensão e se desdobra atravessando fronteiras antes inimagináveis.

Cautelosa, quero cuidar da minha florzinha que aqui ficou para colorir meu jardim. Busco orações para iluminar minhas condutas, abrir meu caminho, pois minha tendência é aguar e protegê-la demasiadamente, o que certamente não é bom, pois sufoca e faz murchar. Sol, chuva, brisas e tempestades ela deverá enfrentar, faz parte do itinerário, faz parte da vida .

Mesmo com a alma machucada, posso afirmar que das alegrias que a vida me reservou, sem dúvida nenhuma a maternidade foi a mais marcante; experimentar a gestação e a chegada de minhas flores foi maravilhoso; como mãe me foi oferecida a oportunidade de conjugar o verbo amar no presente; nunca no passado.

Olho hoje para meu jardim e percebo que devo semeá-lo de alegria, esperança, fé, sonhos, pois são estes os quesitos que podem representar a passagem da minha Bia-flor nessa morada. Sei que haverá o desabrochar da primavera e, mais uma vez, poderei estar aqui relatando para todos os leitores que tudo aquilo que o amor abençoa é destinado à eternidade.

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