Ao amigo Carlos Alberto

Por: José Borges da Silva

Um dia desses, quando estive no Fórum de Patrocínio Paulista para substituir um colega de trabalho provisoriamente afastado das funções, reparei que ao lado do prédio cresce uma árvore frondosa e diferente daquelas da nossa região. Quando fui perguntar que planta era aquela soube que foi plantada por um amigo há vários anos. E acabei me lembrando de um fato interessante ocorrido numa manhã ensolarada, lá pelo início dos anos 1990. Eu chegava ao Fórum local, onde fora a trabalho, quando o Escrivão veio em minha direção avisando: “o Dr. Carlos Alberto pediu pro senhor fazer o favor de passar pela sala dele antes de ir embora...” Eu que voltava para a Região de Franca, após atuar alguns anos na Região de Campinas, fiquei meio intrigado. Não que tivesse qualquer problema com a justiça ou com o Magistrado, mas me espantou o fato de ele saber que eu chegava no foro antes mesmo de me apresentar no cartório. Eu o conhecia de quando fui funcionário do Fórum de Franca, onde ele havia atuado como juiz substituto em pequenos períodos. Mas, como os juízes, de modo geral têm vida social bastante discreta em razão da sua nobre e difícil função, imaginei que ele sequer se lembrasse de mim. Porém, antes que eu perguntasse o motivo do seu recado, o escrivão completou: “Ele convida o senhor pra tomar um café, se o senhor tiver tempo...” Felizmente naquela época ainda tínhamos algum tempo! E o Dr. Carlos Alberto Bastos de Matos, homem culto e simples, sempre me recebeu com serenidade e simpatia quando por lá atuei. E sempre tinha histórias interessantes pra contar. Com o tempo virou rotina: todas as vezes que eu ia a Patrocínio Paulista, ao terminar o trabalho o escrivão vinha me lembrar: “O Dr.Carlos Alberto pediu pro senhor não se esquecer de ir tomar o cafezinho...”

O Dr. Carlos Alberto deixou o nosso convívio ainda bastante jovem, infelizmente para todos nós seus amigos. Pertenceu por um período curto à Academia Francana de Letras, onde constituía ponto de referência nas reuniões, segundo os seus pares da época. Não fui seu amigo próximo, nem nunca visitei sua casa, mas me considerava (ou considero) seu amigo. Talvez por alguma afinidade de princípios ou de modo de ver a vida. Foi historiador escritor e magistrado, mas penso que será lembrado principalmente pela sua lhaneza e simpatia, especialmente no trato com seus funcionários e com as pessoas mais simples, de quem o seu alto cargo não o distanciava. Lembro-me bem disso quando fui principiante no Fórum de Franca. É uma diminuta passagem essa minha atuação na comarca em que ele foi juiz, mas que faço questão de registrar, porque parece que são esses pequenos gestos que marcam a passagem dos grandes homens pela vida. Enfim, quando estive em Patrocínio Paulista, há alguns dias atrás, soube que foi o Dr. Carlos Alberto quem plantou a sapucaia que hoje cresce no pátio do Fórum.

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