Pela estrada adentro sob olhares

Por: Tânia Liporoni

Vai logo suspirando fundo, talvez venha aí uma ebulição. Porque antes, na escuridão tateante, já havia andado às suas voltas, à sua busca. Em quantos lugares não o perdeu, olhares furtivos, alheios, arredondados. Uma piscadela ali que a fez dar meia volta e folheá-lo, para, em seguida devolver-lhe ao lugar. Sente outra fisgada pela bela figura acolá, e depois a ruptura do breve toque. E então, acontece, quando vem o encontro, a intuição dessa vez não falhou, ao contrário, vai se confirmando mais e mais, o encantamento faz o cenário: os dois fazem-se palco e todo o resto tão somente público, atônito ou dormente, não importa, e você, exultante, imagina que esta tenha sido a sensação usufruída por Deus ao criar o universo, mas, humana, apenas, pensa na preciosidade de usufruir dessa conexão, olhares retos, essas palavras escritas, lidas, ouvidas, mas, que são suas, apoderadas, feitas para você, como é que alguém pôde penetrar assim nas suas escusas cantigas e murmurinhos, vindo de longe, um estrangeiro no seu dia fazendo-se senhor do momento. Em parceria com você. O cenário faz o encantamento. Sim, a ebulição veio do encontro. Com livros e pessoas.

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