Quando setembro vier

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Em setembro, as flores dos cafezais são brancas como o véu das noivas. Não há muita chuva e nem sequidão, não é frio e o calor está apenas começando. A luminosidade dos dias é intensa e as noites são cálidas. As flores começam seu reinado. Setembro é verde. A natureza nos brinda com seu amor. Há tempos atrás, era uma boa época para casamentos no campo.

A colheita já se findara e um bom dinheiro fora arrecadado. Era muito fácil se casar; bastavam a vontade dos noivos e o consentimento dos pais. O singelo vestido da noiva era feito pelas comadres, tias ou madrinhas, sendo o tecido comprado no arraial mais próximo. No cabelo da noiva, um belo arranjo de flores de laranjeiras e, nas mãos, as do campo, em forma de harmonioso buquê. Comparecia o noivo, todo engalanado, em um terno feito por encomenda, diante do Juiz de Paz, levando os padrinhos, previamente escolhidos. A bênção de um padre era essencial. A festa, então, era mais fácil ainda. Depois de servir uma farta refeição caseira, preparada com quase tudo produzido lá mesmo, o baile começava e ia até altas horas da madrugada. Quando findava, os noivos se recolhiam em sua nova casa. Essas uniões duravam muito tempo...

Como a informação chega a qualquer lugar, os casamentos dos moradores do campo, hoje em dia, quase se igualam aos da cidade. Os noivos dispõem de facilidades, que o mercado oferece, e os realizam nas igrejas ou cartórios próximos. Não alcançam a sofisticação e o luxo que imperam nos casamentos urbanos, planejados ,onde os preparativos começam bem antes, sendo comemorado com uma festa grandiosa, com todos os detalhes que estão em uso, mesmo que os custos sejam exorbitantes. É um modismo, penso , que deverá desaparecer com o tempo, sendo substituído por outro. Muitas uniões são fugazes e rapidamente se esvaem. Ficam só as lembranças. Permanecer juntos, para sempre, não depende da organização luxuosa ou da simplicidade. As flores de setembro, com seu amor gratuito, precisam voltar a encantar os corações dos jovens que querem, realmente, se casar.

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