A pombinha azul

Por: Chiachiri Filho

Tenho, no quintal de minha casa, uma laranjeira. É linda quando floresce e deliciosa quando dá frutos. Porém, como toda laranjeira, possui os seus espinhos. São espinhos afiados e ferinos que nos impede de tocá-la sem a devida precaução.

Num dos galhos mais fortes e espinhosos da laranjeira, uma linda pombinha azul resolveu fazer o seu ninho. De raminho em raminho, de graveto em graveto, ela foi tecendo a sua morada. Depois de pronta, botou dois ovinhos e começou a chocá-los. Um dos ovos gorou . Do outro nasceu um filhote frágil e feio que reclamava toda a atenção, desvelo e trabalho da dedicada mãe. Ela ia e vinha trazendo-lhe o alimento que lhe dava força e vida. Sua coloração azul confundia-se com a do céu sem nuvens e quando ela se aproximava, mais parecia um minúsculo pedaço do firmamento que ia tomando forma e vida. Aos poucos, surgia no horizonte o bico, as asas, os pés e as penas azuladas de uma pombinha.

Sob a vigilância da mãe, o filhote crescia saudável e vigoroso. A penugem caía e era substituída por penas azuladas tais como as de sua mãe. Chegada a hora de sair do ninho, dar o primeiro vôo e ganhar a amplidão do espaço infinito , o filhote, sob os olhares maternos , foi traiçoeiramente surpreendido por uma boca preta, cheia de dentes pontiagudos e mortais de um cão pastor alemão que observava já há um certo tempo, as atividades das duas delicadas criaturas . Não satisfeito com o filhote, o cão abocanhou também a pombinha azul que voava desesperadamente em sua volta. Meu filho, o Jorge, chegou a ver a pombinha azul na boca do cachorro. Tirou-a de suas garras, deu uns petelecos no seu focinho e foi enterrar a pombinha azul aos pés da laranjeira. Quem sabe, talvez num belo dia de inverno, depois da florescência da laranjeira, nasça um fruto azul que se transforme numa pomba e voe, voe bem alto, fuja dos perigos da terra e desapareça na imensidão do céu...

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras