Cadê Zazá?

Por: Chiachiri Filho

O Zazá, ao qual me refiro, não é o da antiga marchinha de carnaval. Trata-se de Otávio Martins de Sousa Júnior. Estudava na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca. Zazá fazia o curso de Letras, com especialização para a língua inglesa. Era meu amigo, um bom amigo , um desses amigos do qual a gente nunca esquece. Sua mãe, Miss Florence, nascera nos Estados Unidos da América e o seu pai, Prof. Otávio Martins de Sousa, viera do sul de Minas.

Zazá era alto, loiro, magro, branquelo, enfim, bem diferente do tipo brasileiro. Se ele conseguisse chegar à velhice, teria uma certa semelhança com o Tio Sam. Alegre, extrovertido, brincalhão, objetivo e ingênuo, ele tinha ampla acessibilidade aos variados grupos que constituíam a comunidade acadêmica.

Certa vez, engraxando os sapatos na Praça Nossa Senhora da Conceição, ele provocou tanto o pequeno engraxate que este, diante daquela figura tão diferente do padrão nacional, soltou:

“Ôh, moço! Você é feio assim mesmo ou foi trombada?

Zazá formou-se em Letras e em Direito. Começou a dar aulas de inglês e português. Logo comprou um fusquinha para facilitar a sua locomoção. Estava satisfeito com a vida. Tinha emprego, carro e um futuro brilhante. Porém, o carro foi a sua desgraça. Numa das curvas das estradas de terra do sul de Minas, ele capotou o carro e morreu. Com ele morreram o seu pai, o Prof. Otávio, e o grande amigo, o Antônio Moreira de Sousa Guerra. Contrariando a profecia do engraxate, Zazá não morreu de trombada, mas de “capotada”.

Foi uma grande perda. Nós sentimos muito a sua morte, principalmente porque, na faixa etária em que vivíamos, a morte nunca chega a ser uma ameaça real.

Cadê Zazá? Zazá hoje é nome de rua em nossa cidade. Dias atrás passei por ela e me lembrei do bom amigo, do professor dedicado e do infeliz motorista que nos deixou tão cedo.

Muitos preferem que as ruas de uma cidade, ao invés de nomes, recebam números para a sua identificação. Zazá, com seu pragmatismo norte-americano, preferia os números. Felizmente a nossa cidade identifica as suas ruas pelos nomes de pessoas, algumas ilustres e outras nem tanto, que aqui viveram e deram a sua contribuição para o seu desenvolvimento. Ainda bem, meu caro Zazá! Pois foi graças ao seu nome inscrito numa rua é que pudemos lembrá-lo e escrever um pouco sobre a sua história.

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