Espanto

Por: Eny Miranda

O menino, vestido de vida, ficou olhando para a morte,
Sem entender o que via
Curiosas, as mãos alcançaram o que o menino não via
(Ou via e não compreendia)
O menino, vestido de assombro, descobre nas mãos
Um brilho ardiloso de alforria
Vestido de ânsia, o menino é só mãos e desvario
O olhar - enfeitiçado - mira na alça do aço a fria mira...
Dois disparos, um ribombo
...
Vestido de espanto, o menino não vê que antes via
Despido de olhares, fica vagando atrás da vida
Sem entender que vivia
 “O olhar caiu dos seus olhos, e está no chão [...]
Escutando na terra aquele dia”:
No fim da louca via de sangue e de aço, a morte se inicia
Impassível, definitiva, e tão fria...

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras