Araras

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Na caminhada diária, que no outono da vida descobri ser uma atividade agradável, tive um encontro inesperado. Era ao entardecer. Ouvi barulhos estridentes e, pouco depois, vi duas grandiosas araras azuis de peito amarelo em voo rasante e ruidoso sobre as casas. Segui-as com o olhar surpreso e embevecido ao mesmo tempo, diante de fato tão incomum.

No outro dia, dirigi-me à região onde elas pousaram e qual não foi meu espanto ao saber que habitavam aquele lugar há um bom tempo. Encontraram ali um acolhimento amigo. Frutas, sementes e água fresca eram oferecidas pelo morador e sua família, seres humanos sensíveis, com quem as araras, devido às suas características, se socializaram. Com eles também aprenderam a imitar sons humanos.

À tarde elas saem em voos ligeiros e barulhentos pela região, pousam em árvores, telhados, e voltam, esvoaçando, à moradia urbana, onde até procriaram. Como as araras tem vida duradoura, e quando se acasalam permanecem juntas por todo o tempo que vivem, a companhia delas será constante,com seus gritos agudos e ásperos ouvidos antes de serem vistas, numa surpreendente proximidade.

Quando vemos pássaros, tranquilamente pousando em antenas, muros ou jardins, sentimos que nas cidades ainda há lugar para emoções, sentimentos, sensibilidades que caracterizam os que têm coração.

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