Surpresas

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Conheci o Doutor José Cleônio de Figueiredo quando eu trabalhava no Banco do Brasil, e ele era cliente da Carteira Agrícola. Depois de me aposentar, contatos entre nós só aconteceram de longe em longe, sempre fortuitamente.

Há tempos, encontramo-nos à porta de restaurante, e ele manifestou desejo de que eu lesse alguns poemas seus. Anuí, mas ele provavelmente se esqueceu do acordado.

Passaram-se meses e, de repente, coincidentemente subíamos o mesmo quarteirão da rua Estevão Bourroul. Cobrei-lhe suas composições. Ele se entusiasmou e, ali mesmo, em plena calçada, declamou-me um soneto de sua lavra. Fiquei surpreso com sua atitude e admirado com a qualidade de seu texto, fi-lo prometer que me enviaria mostra de seus guardados literários.

Promessa cumprida, recebi cerca de uma dezena de poemas seus. E qual não foi minha surpresa: todos os textos são bons, alguns muito bons. No conjunto, havia sonetos bem ao estilo parnasiano, mas todos revelando conteúdo profundo e expressão bastante clara. Alguns poemas foram construídos ao estilo dos modernos e exprimem, além de objetivo claro, muito bom gosto.

Doutor Cleônio me surpreendeu deveras.

Escreve há mais de meio século, escreve bem e escondeu do público leitor dom tão precioso e raro.

Pretendo, de ora em diante, infernizar a vida deste escritor até que ele se disponha a enfeixar em livro sua produção literária.

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