Eu, criança

Por: Farisa Moherdaui

Uma saudade gostosa,
Dos meus tempos de criança
Momentos que há muito se foram
Mas que guardo na lembrança

Desemboque, Alto Porã
Vilarejos, uma graça
Mas Rifaina onde nasci
É saudade que não passa

No quintal o pé de laranjas,
Jabuticabas pretinhas
No mato apanhei gabirobas
E amoras madurinhas

Nas beiradas do riacho
A lagartixa esperta
E os olhos grandes do sapo
Para mim era tudo festa

Vagalumes ou pirilampos
Nome certo, eu não sabia
Mas se as luzinhas piscavam
Ao encontro delas eu ia
E cantava sempre assim:

“Vagalume tem tem
Seu pai tá aqui
Sua mãe também”.

Ainda bem menininha
Sonhava ter namorado.
Era o bonito garoto
Que queria ser soldado

Professoras dedicadas
As que jamais esqueci
Seus nomes ainda guardo
Rute, Ângela e Zeni

Foi sempre meu companheiro
O cão valente e amigo
Doque, esse era o seu nome
Onde eu ia, Doque comigo

E juntos a passear
Eu cantava e o cão corria
Se pressentia perigo
Em aviso Doque latia

Um dia, chamando por ele,
Virou a patinha e caiu
Escorregando no lodo,
Num abismo Doque sumiu

Dos meus tempos de criança
Lembro tudo o que passei
Mil vezes foram só risos
Poucas vezes eu chorei

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