Automóveis

Por: Chiachiri Filho

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Os automóveis sempre despertaram o fascínio e o desejo das pessoas. Além de sua utilidade, simbolizavam e simbolizam riqueza e “status “ social. Na funilaria do Sr. Geraldo ou na oficina mecânica dos Lambert , situadas à Rua Homero Alves, encontravam-se várias marcas: Morris, Hudson, Chevrolet, Ford, Chrysler, etc. O Studbaker destacava-se pelas suas linhas aerodinâmicas. Na Rua Augusto Marques, perto da Pracinha do Café, ficava estacionado um Citroen. Esse carro chamava-me a atenção: era preto, estribos largos, amplos paralamas, capô quadrado. Diziam maravilhas de sua estabilidade: ele jamais capotava.

Uma das minhas aventuras automobilísticas aconteceu no carro do Ralacho, antigo chofer de praça de nossa cidade. Ele possuía um “guarda- louça” e foi com ele que atravessamos a ponte do Múcio. A ponte oficial do Sapucaí estava interditada em virtude das chuvas. Só havia a do Múcio. Tivemos de atravessá-la à noite, sob a luz de lanternas. A ponte nada mais era do que duas fileiras de tábuas paralelas e nada mais. As rodas do veículo deveriam encaixar-se nas tábuas e seguir em frente. Se o motorista desviasse a rota, cairia no rio. Graças ao choro de minha tia e às rezas de minha mãe, passamos são e salvos.

Alguns carros ficaram em minha memória . A “baratinha” do Dr. Guido Betarello, por exemplo: conversível , possuía um banco dianteiro e o porta- malas que , ao abrir-se , formava um banco sobressalente. A DKV do Dr. Das Bicicletas destacava-se pela quantidade de adesivos que a cobria O Dr. Baldijão Seixas tinha um Fissore que era uma beleza. O “rabo de peixe “do Dr. Alfredo Palermo, carrão importado, trouxe-lhe, ao que parece, mais problemas do que alegrias. Carro macio era o Ford do Sr. Ademar Rodrigues Alves . Preto, estofamento vermelho, buzina estridente, poupou-nos várias vezes, Mazinho e eu, da árdua subida da Avenida Champagnat. O Sr. Álvaro Teixeira, fazendeiro e comerciante de café, era fascinado pelas Mercedes. Teve várias: pretas, reluzentes, imponentes. Houve a época dos Simca, carro de origem francesa. Sua versão perua, a Jangada, tinha um design lindo. Gonzaga Ferreira, filho do Sr. Wilson, gostava de passear numa delas. Ninguém se esquece do Fordinho do Sr. Antônio Vieira: grande, quadrado, arejado e forte. Tão forte que, num acidente ocorrido na Praça Nossa Senhora da Conceição, o outro veículo ficou bem enquanto que o Fordinho só teve alguns riscos no para-lama direito. A Romiseta da Professora Augusta Pinho Caleiro era uma graça. Parecia um pequeno besouro com 3 rodas. Eu presenciei o seu abalroamento por um baita caminhão FNM na esquina da Voluntários da Franca com a Júlio Cardoso.

Pelas ruas da Franca já andaram muitos carros bonitos, possantes e curiosos . Porém, não havia tantos acidentes. Os automóveis não corriam, eles desfilavam.

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