Eu maior x Eu menor

Por: Jane Mahalem do Amaral

A jornada se inicia com esse primeiro passo: habita em mim, numa morada permanente e eterna um Eu Maior, minha verdadeira identidade, o Self. Ele sempre existiu, antes mesmo que eu o soubesse presente. Mas, também, eu me encontro, todas as manhãs, na frente do espelho com a silhueta que conheço e que, às vezes, gosto de olhar, e quantas vezes ( meu Deus!) detesto. A batalha é insana com meu Eu Menor.

Segundo várias e diferentes tradições espiritualistas, esse Eu Menor é passageiro, impermanente e consequentemente, efêmero. No entanto é ele que eu conheço e lhe dou o meu nome. Nossa convivência é intensa e ele me leva sempre a julgar o outro, achando que a verdade é unicamente a minha. Também me deixa quase sempre desconfiada das atitudes das outras pessoas e me coloca de prontidão para uma resposta bem reativa na hora exata e a cada vez em que me sinto ofendida. Meu Eu Menor é orgulhoso e vaidoso e, como dizem os adolescentes, ele ‘se acha!’ Tem vergonha de não saber as coisas e finge conhecer tudo. Concorda, muitas vezes apenas porque não sabe dizer Não e, em outras situações, diz Não, sem saber ao certo sobre o que está falando, apenas para fazer ‘parte da roda’. Meu Eu Menor é impaciente, ansioso e, quantas vezes, injusto e sem consciência. Meu Eu Menor não se considera irmão de ninguém e, quando sente inveja ele também adquire a fome de ter. Esse Eu Menor é meu ego, quantas vezes, inflado ou inflamado demais. A nossa luta é diária e não posso me descuidar dele se não quiser levar rasteiras. Quando reconheço as armadilhas e espertezas que ele me prepara, aí então ele se esconde envergonhado e nesse momento, abro espaço para o meu Eu Maior. Ele se aproxima apenas no silêncio. Longe da minha mente turbulenta e desassossegada, ele vai chegando devagar e trazendo sua companheira inseparável, a consciência do Aqui e Agora. Então, com uma voz doce e suave ele me conta da efemeridade da vida. Diz-me que nesse mundo dual, tudo que existe é impermanente. Tanto o bom quanto o ruim, sempre vão passar num movimento contínuo de nascimento e morte, de ciclos que se abrem e se fecham e assim, é bom que eu aceite e compreenda esse ir e vir, olhando com respeito para a vida, pois tudo é sagrado. Ele me diz que não preciso ser vaidosa nem desejar que me achem competente, pois meu verdadeiro ser está além dessas classificações sociais. Também me pede para que eu olhe o outro como parte da mesma essência, pois viemos todos da mesma Fonte. Somos mais que irmãos: somos pequenas centelhas saídas de uma só explosão de Luz.

Conheço pessoas que são habitadas de forma suprema pelo seu Eu Maior, pois já fizeram a caminhada de forma mais lúcida. Mas há também aquelas que ainda não conheceram seu Eu Maior, por estar ele encoberto pelas tramas do Eu Menor. Em alguns momentos da vida, seria bom que trouxéssemos nosso observador para nos dizer em que estrada estamos andando e quem escolhemos por companhia. Isso pode nos ajudar a, quem sabe, tomar outro rumo ou ir em outra direção. É apenas uma questão de despertar.

PS. Quem quiser conhecer pessoas habitadas pelo Eu Maior, acesse o site: www.eumaior.com.br. É uma boa ajuda para a nossa caminhada.

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