Papo no buzão

Por: Mirto Felipim

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- Então cumadi, indo prá onde?

- Prá lida, minha fia. Faxina, como sempre.

- Eu também. Agora nem tá faltando. Tou até escolhendo. Imagina que tem uma aí que queria que eu ficasse o dia todo... (risos)... e queria me pagar só quarenta. Eu, heim...

- E a Cecília, tem visto? Faz tempo que não encontro com ela.

- Ih, tá sabendo não?

- O que foi? Vai dizer que aquele traste do marido dela internou de novo? Coitada, vai gostar assim no inferno.

- Que nada. Lembra que ela vivia pelejando prá ele parar de beber?

- Claro, mas nunca adiantou nada. Ele gastava o dinheiro todo da aposentadoria na cachaça e ainda pegava algum dela.

- Então... por fim ela desistiu. Antes de sair de casa deixava um dinheirinho na mesinha, prá ele encher o rabo de pinga mesmo.

- Nossa, coitada...

- Coitada nada. O resultado é que ele acabou morrendo de tanto beber e ela agora tá soltinha que só. Até remoçou. Além do dinheiro da pensão do disinfeliz, tá fazendo faxina só prás madame mais laiti. Tá com a vida que pediu a Deus, e nem quer mais saber de enrosco não.

- Que sorte... Acho que tou precisando aprender com ela...(risos)...

- Vira essa boca prá lá, minina...(risos)...

Segue o buzão, rumo ao terminal.

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