Aparecida

Por: Farisa Moherdaui

Você, minha cunhada, inteligente, sensata, por que tão precipitada naquela tarde quando de volta da padaria? Se alcançou parte da rua, já em frente a sua casa, e quase adentrando o seu portão, por que permitiu aquele acidente que fez recair tanta tristeza sobre a família?

Tristeza maior a dos seus filhos, Fernando e Regina; dos netos, Luiz Felipe, João Paulo, Lígia e Isabela, que lamentam tudo o que aconteceu, pela forma inesperada e tão violenta. Tristes, ainda, as pessoas cuja amizade você cultivou desde os tempos em que, proprietária do Bazar São Sebastião, ali trabalhou intensa e prazerosamente ao lado do saudoso Jabra, seu esposo e meu irmão querido.

Até o seu Chaninho, Aparecida, está sofrendo e num miado cheio de mágoa foi levado para a casa da sobrinha Rosana, ela que também sofre sem você.

Lembrando aquela tarde, pergunto ainda por que não um minuto a mais para que você pudesse desviar daquela moto que passou e num instante causou o lamentável acidente? Podia até ter ficado naquele bate-papo costumeiro com o Rubinho, ali na farmácia da esquina, né? Mas você, Aparecida, fez besteira e passou junto com a moto.

O motoqueiro, todos viram, não teve culpa e até tentou evitar, mas a culpada mesmo foi Dona Fatalidade que passou, levou você com ela e pronto! Tudo aconteceu.

Sabe, Aparecida, em muitos momentos lembro você sorrindo, um sorriso claro, bonito, sua marca registrada, mas sei também que onde você está há mais de mil motivos para sorrir , sempre.

E os seus filhos, Regina e Fernando, bem como toda a família, têm certeza de que você agora está muito mais feliz ao lado do Jabra, caminhando juntos e de mãos dadas, seguindo por uma estrada infinita e calma, aquela que Deus lhes reservou, onde não há trânsito que mata, somente paz , muita paz.

Saudades e até um dia qualquer.

Beijos para você e para o Jabra.

Farisa

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