Miudezas

Por: Everton de Paula

• Virose é uma palavra latina que os médicos usam para dizer “mas que diacho terá ele?”

• Dizem que aconteceu com Nazir Bitar. Eu já acho que é folclore. Enquanto o maestro regia uma passagem especialmente brilhante de uma peça barroca, um celular começou a tocar na plateia. O maestro não tomou conhecimento do toque insistente, mas o público começou a se inquietar. Por fim, sem interromper a regência, o maestro olhou para a plateia e disse: - se for para mim, digam que agora não posso atender.

• Noventa por cento dos atritos da vida diária são causados pelo tom de voz.

• Marido, apontando o guarda de trânsito, à esposa distraída no volante: - Pode seguir agora, meu bem... Ou está esperando que o guarda fique verde?

• Lembrança de um resumo de relatório pelo escritor Márcio José Lauria: “Fatores decisivos para explicar a excelência de umas poucas escolas brasileiras no ensino médio: todos os professores ganham bem, têm curso superior completo e são permanentemente estimulados a continuar estudando; o corpo docente tem, em média, dez anos de casa; há metas acadêmicas claras; as aulas são planejadas e não intuitivas; os diretores são figuras presentes na rotina escolar; episódios de indisciplina são prontamente punidos.”

• O pensamento de Fernando Haddad, nosso ministro da Educação, reflete seu conceito sobre abertura de novos cursos de nível superior e sua tendência ao social via política: “Um país que só tem 3% da população na universidade não pode esperar ter talheres na mesa e papel higiênico no banheiro para que um campus comece a funcionar.”

• Casal completa 63 anos de casamento. 63 anos juntos. Vem o repórter e lhes pergunta qual o segredo. Diz ela: “Perdoar tudo... Sempre.” Diz ele: “Surdez e saco de filó.”

• Roberto Pompeu de Toledo, ensaísta, elaborou de forma simples e magistral um conceito interessante: “Como chamar os consortes gays? Um é marido do outro, uma é mulher da outra? E o namorado que dorme na casa da namorada, continua só namorado? A língua não está dando conta das novas relações familiares.”

• Ninguém mais se importa com a fala individual de ninguém. O que vale é o coletivo nivelado por baixo. Platão, Bacon, Freud, Nietzsche, Gates, Jobs... Pronto, já se falou demais... Já se ensinou muito... As mudanças e ondas culturais já aconteceram... Pra que vou me meter a falar de meus pensamentos? Julgam-nos “cultos” demais e isto constrange as pessoas. Em vez de curso de Oratória, estou seriamente pensando em ministrar um curso de Escutatória, termo emprestado de Rubem Alves por uma via qualquer. Em suma: calar para ouvir, ouvir para pensar, pensar para agir, agir para acertar... Se você conseguir isto, parabéns, está além da média. Se for um pouco além, ouvirá bocejos à sua volta e dois ou três interessados...

• Eu não sei qual é a chave para o sucesso, mas a chave para a derrota é querer agradar a todos.

• Há muito a ser dito em favor do fracasso. Ele é mais interessante do que o sucesso. Thomas Edison sempre respondia aos seus críticos, enquanto não dava certo sua invenção: “Não foi mais um fracasso; na verdade, descobri mais uma maneira de não inventar a lâmpada elétrica.” Diz Anthony Robins, pensador norteamericano: “Vá em frente e fracasse; mas com espírito, com graça, com classe. Um erro medíocre é tão insuportável quanto um sucesso medíocre. Abrace o fracasso. Busque-o. Aprenda a amá-lo. Talvez seja a única maneira de alguém vir a ser livre.” Complemento: talvez seja a única maneira de triunfar.

• Novembro é aniversário da velha Franca imperial. Franca não é mais uma velha cidade, ou pelo menos aquela das tradições da época do pé-de-moleque do Binuto ou dos paralelepípedos, sobre os quais vibravam os pneus do carro de aluguel do Cuca, o Secchi. Tornou-se outra. E graças a Deus que seja assim: não paramos no tempo! Franca é tão somente uma cidade que vem se atualizando, cada vez mais, para se adaptar aos novos dias. Embora o preço seja alto. Que os nossos homens públicos e principalmente os meios de formação de opinião se debrucem sobre este pressuposto e se dediquem à renovação desta cidade que, apesar de tudo, toma conta de meu coração. São os meus votos para a aniversariante!

• Perguntaram-me qual palavra da língua portuguesa seria, a meu ver, a mais triste. Não consegui responder, apesar de ser uma língua neolatina. Mas comentei que conhecia três frases tristes: 1. “Ah, se eu tivesse...” (não tive, sofri); 2; “Da próxima vez...” (quer dizer, errei no presente; sofri); 3. “Poderia ter sido...” (não foi... sofri).

• SIMPATIA PARA PRENDER A PESSOA AMADA: 1. Misture 1 kg de cocaína nas coisas dela. 2. Chame a polícia.

• Fiquemos, enfim, com uma surpreendente frase elaborada pelo filósofo norteamericano Ralph Waldo Emerson: “O que você é grita tão alto aos olhos, que eu não consigo ouvir o que você diz.” Bravo, não?

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