A invasão dos insetos

Por: Chiachiri Filho

Primeiro vieram os besouros, os besouros e as aleluias. Vieram em busca da luz e do calor. Entraram pelas portas e janelas. Pousaram nas mesas, nas camas e até em nós mesmos. Os besouros, grandes e pequenos, fizeram de nossas cabeças campos de pouso e enrolaram-se em nossos cabelos . Suas perninhas irritantes causaram-nos arrepios e repulsas. Voaram pelos quartos, pelas salas, pelos corredores. Voaram em torno das lâmpadas. Enfim, voaram. Como é que esse inseto redondo e desajeitado pode voar? “É porque ele não conhece as leis da aerodinâmica explicou-me, certa feita, um estudioso.

De fato, o besouro tem tudo para ficar enterrado ou rastejando pela terra. Todavia, ele vai muito mais além. E voa. Voa e, se o olharmos sem nenhum preconceito, voa até com uma certa graciosidade pelos espaços aéreos e em torno dos pontos de luz.

Nos nossos tempos de criança, os besouros não nos importunavam tanto. Ao contrário, nós é que os importunavam. Mais do que isso: nós os maltratávamos. Faziam-nos de brinquedos. Fincávamos em suas costas dois alfinetes, ligados através de linhas finas de costura a uma caixa de fósforo. O coitado do besouro arrastava a caixa de fósforo até morrer.

De novembro para frente, sofreremos a invasão dos insetos. Besouros e aleluias são os mais toleráveis. Estão chegando também os mosquitos e os pernilongos, para não falarmos nos escorpiões.

Bichinho chato mesmo é esse tal de mosquito. Ele não nos dá sossego. Assenta-se na nossa cabeça, nos nossos ouvidos, no nosso nariz, nas nossas comidas. É um inseto impertinente, maléfico e persistente. Não há inseticida que consiga arrasá-los. Eles não morrem, resistem a cada geração.

Das 7 horas da noite em diante, os mosquitos desaparecem. Já está no ar e em plena atividade uma praga chamada pernilongo. São piores do que os mosquitos. Além do barulhinho infernal, eles picam , causam coceiras e trazem doenças.

E assim, prezado leitor, a invasão dos insetos é um fato intolerável, irreprimível e inevitável. Passarão o céu e a terra, mas os insetos permanecerão. Praga é praga. O panda, o peixe boi, a ararinha, o galo do campo o mico leão e tantas outras espécimens estão em extinção. No entanto, mosquitos, pernilongos e similares permanecem vivos, bem vivos para importunar os humanos . Acredito que nem mesmo uma catástrofe nuclear conseguirá destruí-los. Mas, pensando bem, é preferível esses minúsculos insetos do que os colossais dinossauros das épocas geológicas passadas.

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