Sítio Feliz

Por: Sônia Machiavelli

"Deistá que não há como um dia depois do outro", diz a mulher serena. "Capaz de ser verdade", responde a ligeira que varre o chão batido. "Destamanho nunca tinha visto bagre por aqui", avalia o pescador exagerado e meio surdo, o peixe ainda no anzol. Galinhas ciscam entre pés humanos , meninos fazem guerra de mamonas, um beija-flor relampeja instante verde metálico, cai da árvore em maduro plof uma fruta amarela. A brisa que vem do rio leva a tilintar os guizos de cabaças penduradas em velho caibro. O sol escorrega depressa por trás da serra. Lírios rústicos começam a liberar seu perfume. Uma rede balança: alguém acabou de se levantar. Às vezes as placas que nominam logradouros sabem muito dos lugares onde estacam.

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